"Namorei uma gordinha e sofri preconceito"

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Foto: Leontura/ Stock Photo

Se você nunca ouviu esse testemunho, com certeza já presenciou uma cena onde o namorado da gordinha é obrigado a ouvir um "o que você viu nela?" ou "você conseguiria coisa muito melhor". Em nossa sociedade, o preconceito ainda é forte contra as pessoas que estão acima do peso e quem se relaciona com elas também é atingido pelas farpas maldosas.

Perséfone (personagem de Fabiana Karla) da novela "Amor à Vida" é um grande exemplo dessa situação. Daniel (seu namorado vivido por Rodrigo Andrade na trama) sofre preconceito por parte da própria família por causa da namorada ser gordinha. E o preconceito pode vir não como uma crítica, mas como uma "simples brincadeira".

Gabriel Resende, que namorou por seis meses com uma gordinha, diz: "Eu tinha 18 anos, os amigos pegavam pesado nas brincadeiras. Eram comentários como ‘você não vai conseguir nem abraçá-la’ ou ‘no cinema vai ter que comprar três ingressos’. Eu não aceitava os comentários, claro, e confesso que incomodava bastante".

Para os companheiros, a maior preocupação é que tais comentários ofendam suas namoradas que, com o ego já fragilizado, podem se magoar muito com qualquer crítica. "Como parceiro, acho que é papel da pessoa blindar a companheira das criticas", afirma Alonso Horta, 34, que namora há um ano e meio. E completa: "A mulher tem consciência de que sua estética não se adéqua aos padrões de beleza que muitos exaltam, elas não precisam de alguém minando sua autoestima com alguma opinião pronta".

Mas os colegas podem não ser a única fonte de desconforto para um casal que não se encaixa nos inalcançáveis padrões de beleza. A família pode ser um grande poço de críticas e reprovações, como diz Gabriel: "Minha família não fez muito gosto. Minha mãe, que sempre foi de ostentar coisas, queria uma menina modelo. Algumas tias também fizeram comentários, e uma delas até chegou a perguntar o que eu vi na garota".


E, por incrível que pareça, alguns dos comentários vêm da preocupação das pessoas sobre a saúde da gordinha; principalmente quando o emissor da crítica é algum familiar. "As pessoas estão apegadas ao padrão de beleza ditado pelos meios de comunicação e associam o fato de ser gordo a algo muito ruim e transferem para os que são próximos a essas pessoas o mesmo pensamento", explica Gabriel. Mas não se deixem enganar: tem muita gente acima do peso que está mais saudável que os magrinhos sem barriga alguma.

Para quem está um pouquinho mais gordinho do que a maioria, qualquer elogio ou carinho ajuda a dar confiança e inspirar coisas boas. Aos namorados, cabe não se deixar abater pelas críticas e apoiar sua amada, como diz Gustavo Franca Andrade, de 18 anos: "O preconceito sempre vai existir, apenas olhe para ele e seja forte, aguente a situação e bola para frente, pule esse ‘obstáculo’". E Ricardo Suzuki, 29, garante: "O fator principal de nossas vidas é o amor e não a aparência! Corpo bonito um dia acaba... Mas as suas qualidades, nunca".

Por Juliany Bernardo (MBPress)

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