Mulheres estão traindo mais

Mulheres estão traindo mais

Pesquisas realizadas recentemente revelaram que a fidelidade entre os casais não anda muito em alta. De acordo com um levantamento realizado pela Fundação Perseu Abramo e pelo Sesc, em 2001, 7 % das mulheres entrevistadas assumiram que traíram pelo menos uma vez. Em 2010, este número pulou para 12%, ou seja, quase dobrou.

Quem também avaliou o grau de fidelidade das mulheres foi o Projeto de Sexualidade (Prosex), da faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Segundo os resultados, quase metade das mulheres - mais precisamente 48% - afirmaram já terem tido algum envolvimento extraconjugal. Esse índice abrange mulheres entre 18 e 25 anos. As que estavam na faixa dos 70 anos e que assumiram a traição somaram 21%. Ao todo foram 8.200 mulheres entrevistadas de todo o país.

Para a coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da USP, Dra. Carmita Abdo, o novo perfil de mulher contribuiu para a formação desse novo quadro. "Elas estão mais independente economicamente e intelectualmente e tendo mais contatos sociais, oportunidades que norteavam apenas o universo masculino. Desse modo, houve uma mudança de estilo de vida e consequentemente, de comportamento", explica.

Mesmo assim, os índices de infidelidade feminina não superam a masculina. Segundo a Dra. Carmita, 65 a 70% dos homens afirmaram que já traíram. "Porém, eles recorrem às garotas de programa ou às que se permitam ter relacionamentos extraconjugais. Já as mulheres variam de parceiro para evitar criar vínculo e só repetem quando gostam. Sem contar que somente 1 ou 2% delas procuram por garotos de programa".

A médica acredita que a independência financeira e a liberdade sexual podem andar juntas sim. Isso porque quando a mulher depende financeiramente do marido, o fim de um relacionamento traz consequências graves para ela e para os filhos, por não terem condições de se sustentarem sozinhos. "Mas a partir do momento em que ela ‘se banca’, passa a ficar menos tempo numa relação, e se permite novos relacionamentos. Até porque se houver repercussão dessa traição a mulher terá como caminhar sozinha", comenta. "Sem contar o fato de que o adultério saiu do Código Penal e deixou de ser crime. Isso pesa também."

Ainda segundo a pesquisa realizada pela Fundação Abramo, os motivos principais que levaram essas mulheres à traição estão vingança, atração física e melhora da autoestima. "A partir daí, podemos deduzir que essas entrevistadas queriam mesmo que seus parceiros soubessem do ato de infidelidade que cometeram", afirma.

Agora se a questão não é revanche, o motivo pode ser curiosidade. "Ou ainda insatisfação com o relacionamento, decepção ou busca por uma nova perspectiva de vida. Não podemos falar só em vingança, porque você começa a partir do princípio de que a mulher não busca algo por motivações internas, o que não é correto", pondera. "Hoje há uma maior liberdade sexual. Além disso, algumas pessoas que se casam jovens demais passam a não ter os mesmos comportamentos e maneiras ao longo do tempo, deixando de ter de fato uma parceria".


Os números das duas pesquisas são indícios de que o modelo de casamento pode passar por muitas transformações nos próximos anos. "Busca-se de uma nova forma de viver, mas ainda não se instituiu um novo formato. O que se sabe é que a relação para toda a vida, independente de se estar ou não satisfeito não se sustenta", afirma Dra. Carmita. "Os casamentos podem passar a ser mais abertos e menos duradouros, entre três e quatro anos, mas esta é uma grande mudança que ainda está em processo".

Por Juliana Falcão (MBPress)

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