Mulheres de presidiários: cárcere em liberdade

Mulheres de presidiários cárcere em liberdade

Foto: Ken Glaser/Corbis

Mãe de dois filhos, *Danielle se separou do marido e seguia sua vida normalmente quando recebeu uma carta de Luciano por meio da irmã dele, que é sua grande amiga. Ele conheceu Danielle quando ela ainda estava casada em uma de suas saídas do presídio. Mas, algum tempo depois, ao saber do divórcio de Danielle, resolveu expressar seus sentimentos por ela.

"O Luciano está cumprindo sua segunda pena. Sou muito amiga da irmã dele. Então, em 2008, na primeira saída dele nos conhecemos. Mas, como eu estava casada, não houve interesse da minha parte. No início de 2011, recebi uma carta, na qual ele descreveu o interesse por mim e perguntou se eu poderia visitá-lo, pois queria conversar comigo. Após três meses de conversas por carta, resolvi ir, foi quando iniciamos nosso namoro", descreve.

Ela conta que, como o namorado se encontra em um Centro de Detenção Provisória, é possível vê-lo todos os finais de semana, alternando mensalmente as visitas no sábado e no domingo. Assim, dá para manter uma proximidade. "Nossa relação é um pouco conturbada por parte dele. Mas procuro entendê-lo, pois ficar preso por pouco mais de seis anos é bem estressante. Ele acha coisas aonde não existe nada. É extremamente ciumento e possessivo. Precisa amar muito para continuar ali lado a lado."

Realmente, é uma situação difícil que para Danielle é motivada pelo fato dos presos não estarem vivendo livremente em sociedade, o que acaba causando problemas em seus relacionamentos com mulheres ou namoradas. "Acho que por estarem isolados e vivendo no automático, os presos agem de forma grosseira. Alguns relacionamentos se tornam agressivos, inclusive, já vi casos nos quais mulheres chegaram a ser espancadas lá dentro do centro de detenção, sem saber o motivo."

Segundo ela, outro problema está relacionando ao clima das visitas que acontecem em um sábado ou domingo, das 7h30 às 16h. "Elas são um pouco conturbadas, pois acabamos nos misturando com pessoas de outras famílias e há crianças correndo por todos os lados. Além disso, o consumo de entorpecentes é algo bastante visível", relata, adicionando que leva comida (refeições e lanches) e bebida como água e refrigerante para Luciano.

"Geralmente, tiramos a parte da manhã para colocarmos a conversa em dia sobre advogados, a família dele e os meus filhos. À tarde, temos a nossa visita íntima, mas nem sempre é possível, devido ao grande número de presos." Apesar do encontro ser importante, Danielle afirma que as condições do local onde são feitas as visitas são precárias, afirmando que o prédio está totalmente comprometido e cheio de baratas.

"Sem contar o constrangimento que passamos antes de entrar, pois ali nós visitantes sempre somos alvo de suspeitas. Antes de ingressarmos, os alimentos passam por um detector de metais e são perfurados. Além disso, nós ainda temos que ficar totalmente nuas em uma sala de frente para as agentes", detalha.


Mas o amor faz com que Danielle supere todos esses obstáculos. "O Luciano e eu descobrimos algo maravilhoso chamado amor. Na época em que o conheci, ele era baladeiro e galinha. Mas, hoje ele vê que não é qualquer mulher que assume a situação, indo no presídio direto, acompanhando a situação no fórum e se privando de finais de semana. A verdadeira mulher de um presidiário acaba cumprindo a pena junto com ele. Eu o amo demais e espero passar o resto de minha vida ao lado dele. Mas se Deus achar que isso não deve acontecer, então, me sentirei feliz em vê-lo saindo de lá totalmente recuperado."

Ela diz que até o final do ano Luciano estará em liberdade. "Temos planos de constituirmos nossa família. Entretanto, quando ele sair, primeiramente, vou ajudá-lo a ter uma vida nova, trabalhando, estudando e, principalmente, tendo um acompanhamento psicológico, pois a prisão abala totalmente o psíquico do ser humano. Sei que o recomeço será bem difícil, mas, como sempre conversamos, o primeiro passo que ele deve dar é ter Deus no coração e, segundo, ter alguém ou uma família bem estruturada", conta Danielle esperançosa de ter um futuro melhor com a pessoa que tanto ama.

Por Fernanda Oliveira (MBPress)

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