Mulheres de 50, por Martha Medeiros

martha medeiros

Foto divulgação

Esta gaúcha que está prestes a completar 50 anos se sente realizada não só por conta da sua trajetória de escritora e jornalista - já são 19 livros publicados, sendo alguns deles best-sellers, como "Divã". Martha Medeiros é conhecida por tocar o coração das mulheres com seus textos ao mesmo tempo divertidos e inteligentes. Depois de dar voz às questões femininas, ela agora vive plenamente a chegada a "meia-idade" e fala mais sobre esse assunto para o Vila Mulher:

Em seus livros podemos encontrar um pouco da sua vida, dos seus relacionamentos. Podemos dizer que nesse momento, solteira e com mais de 50 anos, parte da sua fase está descrita em "Divã"?

Talvez sim. O filme trata de forma genérica a busca da felicidade, do próprio caminho, e uma fase de transição que muitas mulheres passam. Isso também acontece comigo. Já o "Fora de mim" (lançado recentemente), por exemplo, fala da dor da separação, que aconteceu há algum tempo. O restante do livro é ficção. Acredito que agora já cumpri o meu papel de mãe, de mulher. Outro dia mesmo estava conversando com uma amiga em São Paulo sobre essa fase da reflexão, e acredito que muitas mulheres na minha idade também passam por isso. Percebemos que conquistamos mais liberdade, autonomia e estamos mais livres das amarras e tabus não só amorosos, mas também profissionais.

Você já chegou a comentar em uma de suas colunas que para uma mulher se tornar adulta, e plena, ela deve manter o "espírito jovem". Você acredita que agora, mais do que nunca, sabe o que é isso?

Estou levando a vida com mais leveza, sem dúvida. É bem diferente de uma garota de 20 anos, por exemplo, que precisa fazer suas escolhas profissionais, estabelecer uma família, escolher um homem que será para a vida toda. São escolhas difíceis, eu bem sei porque também tive que fazê-las, afinal me casei jovem. Foram 20 anos de casamento e mais quatro de outro relacionamento antes de ficar sozinha.

Como você se imaginava depois dos 40, 50 ... é bem diferente do que se passava em sua mente?

Para falar a verdade eu nunca fiz muitos planos, projetos. Só achava que os 50 nunca iriam chegar, às vezes pensava que poderia ser o começo do fim ou que daí para frente era "ladeira abaixo" (risos). Mas fiquei surpresa porque assumi uma nova postura e estou muito bem sozinha. Após dois relacionamentos estou mais conectada comigo mesma, com o meu trabalho, filhos, aproveito para viajar, conversar mais com os amigos. Claro que quero estar acompanhada e pretendo amar novamente, mas não tenho a ansiedade de antes. Meu projeto agora é ter bons momentos. Entendo que nada é para sempre.

No teatro ou no cinema, nós observamos várias adaptações dos seus livros. Além da peça e do filme "Divã", há também "Doidas e Santas". Aliás, no monólogo "Tudo que eu queria dizer" a atriz Ana Beatriz Nogueira comentou que se emociona cada vez que interpreta as cartas dos vários personagens. Qual é a sua opinião sobre essas adaptações?

Eu me divirto. Não exijo uma fidelidade ao texto do livro e assisto como uma simples expectadora. Acho que é impossível as adaptações se manterem fiéis, pois há a interferência do ator, do diretor. No início, eu achava estranho, afinal, uma parte de mim estava lá, mas agora é também um pouco de Ciça Guimarães (atriz de "Doidas e Santas"), da Ana Beatriz ... Alías, a peça "Tudo que eu queria dizer" é a que mais conseguiu retratar o que escrevi no livro. 


Por Juliana Lopes

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