Mulheres com medo de amar

Mulheres com medo de amar

Para algumas pessoas pode parecer estranho, mas muita gente sente medo de amar. Ou então, não se sentem à vontade de se entregar completamente à outra pessoa. Não é difícil encontrar alguém com essa característica, seja homem ou mulher.

Dr. Ailton Amélio é professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo e autor do livro "Relacionamento Amoroso" (Editora Publifolha, 2009). Especialista no assunto, ele explica que o amor é baseado em três pilares: paixão, comprometimento e intimidade. "Normalmente as pessoas têm dificuldade em um ou mais desses setores", diz.

Não há causas específicas para a dificuldade em assumir e manter uma relação. O psicólogo ressalta a importância de saber que cada indivíduo tem seus próprios motivos. "Há aqueles que, por alguma razão, não conseguem se apegar afetivamente e outros até podem, mas não querem", afirma o psicólogo. "Um dos meus pacientes teve diversas parceiras, ele mesmo dizia que elas eram uma mais linda e simpática do que a outra, mas não chegou a se casar", completa.

A situação fica ainda mais difícil para quem se acostuma a viver sozinha. "Imagine uma pessoa que vive de forma completamente independente. Ela sai e volta a hora que quer, sem ter que dar satisfações a ninguém. Tem total autonomia sobre o que comer, a hora de comer ou de dormir. Dessa forma, será cada vez mais difícil que ela abra mão desse estilo de vida para se entregar à convivência íntima", exemplifica Dr. Ailton.

Segundo o psicólogo, muitas vezes essa dificuldade em criar laços é consequência de ações na infância. Ele fala sobre os "efeitos do estilo de apego da mãe no estilo de amor romântico", que tem relação com a maneira como a mãe cuidava dessa pessoa durante o seu primeiro ano de vida. Esse período pode definir a personalidade em três estilos diferentes: seguro, evitativo e ansioso-ambivalente.

"Geralmente quem apresenta essa dificuldade em assumir uma relação se enquadra no ‘estilo evitativo’. São pessoas que, possivelmente, tiveram uma mãe que dedicava pouca atenção a eles", revela Dr. Ailton Amélio. "Assim, cresceram sem poderem contar com a ajuda de outras pessoas ou esperar demais de terceiros. Finalmente, quando se comprometem são mais frios, passionais e já garantem a separação, é comum que se casem com separação de bens e contratos pré-nupciais", completa.


"É muito possível que isso seja consequência de processos vividos em outras fases da vida. Como psicólogo recomendo que quem sofre com esse problema procure ajuda com terapeutas", diz Dr. Amélio. Ao que tudo indica assumir ou não uma relação não é sempre uma escolha consciente. Vale prestar atenção e, se julgar necessário, procurar ajuda profissional. O psicólogo lembra ainda que, assim como há pessoas que não assumem uma relação, há aquelas que não conseguem dar um basta. Fique atenta!

Por Bianca de Souza (MBPress)

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