Mulher insegura boicota o relacionamento

Insegurança porta de entrada para outros problemas

Imagine a cena: a esposa liga para o marido de cinco em cinco minutos. Impede que ele tenha amizades com pessoas do sexo oposto. Cheira as roupas enquanto ele vai tomar um banho. Procura bilhetes de amantes na carteira e no bolso da calça. Tudo sinal de ciúme, certo? Mas antes dele, outro sentimento está certamente consumindo essa mulher: a insegurança.

Essa sensação que fragiliza pode facilmente colocar em cheque a boa relação a dois. "Em vez de ter alguém para andar do lado, o homem é obrigado a puxar essa mulher, conduzí-la. E isso desgasta, pois o marido está sempre em busca de alguém que o apoie também", explica a psiquiatra Evelyn Vinocur.

Algumas mulheres de autoestima ou autoconfiança baixa ficam limitadas e perdem a confiança no companheiro. Se ele vai ao jogo de futebol, acha que a está traindo. Foi por conta dessa insegurança que o designer Douglas, de 25 anos, deu fim a um namoro de um ano e meio. "Eu não tenho muita paciência com mulher assim. Se eu falei que estou em um lugar, estou. Se falei que estou ocupado, é por que realmente estou também", afirma. E garante: "Nunca dei motivo para ela desconfiar do que estou fazendo. Sempre deixei tudo muito claro. Por isso, cansei de tentar colocar um ponto final na insegurança dela".

Outras mulheres viram capacho e se casam com o primeiro homem que encontram, com medo de ficarem sozinhas. E esses maridos usam e abusam delas, justamente pelo fato de serem permissivas demais. "Chamamos de mulher Amélia. Mas esse comportamento não surge do nada. Essa esposa certamente já ‘cuidou de outros parentes’, cresceu com o hábito de sempre servir", comenta Evelyn. Um caso semelhante é o de Dona Marta. Casada há 20 anos com um estrangeiro, faz de tudo para não atrasar o jantar. "Meu marido gosta de jantar sempre na mesma hora. Se a comida não fica pronta, ele fica bravo", afirma.

Xô, dependência!

Assim como a mulher, o homem busca uma cara-metade decidida, que queira receber atenção, mas que também saiba retribuir. O problema é que, muitas vezes, o marido ou namorado é desconhecedor da gravidade da situação e a define como frescura. Outras vezes, humilha a mulher, achando que isso pode ajudá-la a tomar uma atitude. "Se o marido passa o dia todo chamando a mulher de gorda, só vai potencializar o sentimento de insegurança", garante Evelyn.

A psicanalista ressalta que idade e fatores hormonais ajudam a potencializar o quadro de insegurança. "A menopausa traz uma série de alterações hormonais, o que influencia no humor da mulher. Além disso, é muito comum encontrar pessoas idosas com esse tipo de sentimento bastante aflorado".

Alguns casos são tratados apenas com conversas e outros com remédios. Mas, quando o homem conhece bem os pontos fracos da mulher, sabe também minimizar as crises. "Esse sentimento vem agregado a outros. Se a mulher está de TPM, por exemplo, o companheiro pode evitar certos questionamentos e comentários que podem desencadear um estresse ou uma depressão acentuada nesse período".

Há ainda homens que, por amor, aprendem a lidar com a insegurança da companheira e levam adiante o relacionamento. É o caso do publicitário Paulo, de 30 anos, que se casou com Alice, de 26. "Fui o primeiro namorado dela. Eu tinha 18 anos e ela 14. Precisei de muita conversa, paciência e algumas brigas para lidar com as crises dela. Às vezes essa situação cansa, mas se você gosta de verdade, vale à pena tentar superar", conta.


Paulo conta que a maioria das crises era motivada por ciúmes. "Outras vezes ela não se achava bonita, não sabia se portar", conta. "Mas hoje ela é muito diferente. É mais firme nas decisões. Tudo caminha normalmente".

Por Juliana Falcão (MBPress)

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