Morar sozinho pode camuflar dificuldade para relacionamentos

Sós e com dificuldade em se relacionar

Segundo dados do IBGE, nas últimas duas décadas triplicou o número de pessoas que moram sozinhas. Já são 6,9 milhões de lares, 12,2% do total. Em 1991, o número de solitários era de apenas 2,4 milhões. A somatória já é maior do que as das residências habitadas por cinco integrantes, 10,7%. No início da década de 1960, a média era de 5,3 morados por residência e em 2010 esse índice caiu para 3,3. Ao que tudo indica, isso é tendência mundial, no velho continente e nos EUA as casas são habitadas por cerca de 2,5 moradores.

Os motivos para essa realidade são variados, os principais são o crescimento da renda média e aumento da expectativa de vida de idosos. O resultado dessa pesquisa também pode revelar um conflito de relação. Rosana Braga, especialistas em relacionamento e comunicação, concorda com a afirmação, mas alerta que esse não seria o único motivo.

"As causas podem ser desde ter de morar mais perto do trabalho devido ao trânsito, estudar em outra cidade, apartamentos cada vez menores e, sim, claro, muitas pessoas consideram que morar sozinho é um modo de evitar conflitos, seja com os pais, amigos ou até cônjuge", pontua Rosana. "Mas também devemos considerar que muitas pessoas não conseguem viver sós. Mesmo não sabendo lidar com os conflitos, preferem continuar alimentando uma relação precária a optarem por morarem sozinhas", completa.

A especialista conta ainda que a população pós moderna pode estar encontrando dificuldade em manter relacionamentos estáveis e longos. Quando o divórcio ocorre, e ele é cada vez mais frequente, as pessoas não querem voltar a morar com os pais. Rosana alerta: "Muita gente ainda se casa acreditando que o amor e o desejo são suficientes para sustentar uma relação. Não são! É preciso inteligência emocional e afetiva, paciência, tolerância, disponibilidade para o diálogo e as negociações, encontrar o meio-termo, enfim, é preciso compreender que duas pessoas diferentes vão entrar em conflito inevitavelmente".

A independência feminina tem forte influência nas relações atuais. "Se a mulher acreditar que sua independência deve servir para que ela se torne mais inflexível, mais arrogante, mais orgulhosa e mais egoísta, certamente vai atrapalhar", aponta Rosana. "Mas se ela acreditar que sua independência deve servir para que ela faça escolhas mais assertivas, saiba o que realmente quer e vá em busca de sua felicidade com humildade, sensibilidade e inteligência, certamente vai ajudar", contrapõe.


Para aumentar as chances de sucesso em um casamento, a especialista recomenda investir no diálogo. Conversar sobre o que está incomodando, sempre de forma respeitosa e funcional. Saiba que não existe o certo e o errado, mas apenas duas pessoas pensando, sentindo e enxergando uma mesma situação de modos diferentes. "Ouvir o outro e se colocar no lugar dele é fundamental para que haja compreensão e espaço para ceder, conciliar. Por fim, o intuito tem de ser, sempre, o de encontrar uma solução razoável para os dois", garante Rosana.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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