Meu namorado trabalha na balada

Amor não escolhe idade, aparência física, muito menos profissão. Quando menos se imagina a flecha do cupido te atinge e você fica completamente cega. À primeira vista, os homens que fazem sucesso na noite, seja como vocalista de bandas ou barman, tem um charme a mais. O problema é quando a simples paquera se transforma em namoro, e você é daquelas que sente ciúmes e pega no pé.

A estudante de engenharia Amanda Ximenes, de 24, vive essa situação. Ela conheceu o seu atual namorado, que trabalha como barman, por acaso, mas não na balada. Foi paixão à primeira vista. E no início, ela não se importava com a profissão dele.

De vez em quando, ela o acompanha em casas noturnas, mas na maioria das vezes prefere ficar em casa, mesmo porque os horários dos dois são bastante diferentes. “Essa foi a nossa primeira dificuldade. Durante a semana, a gente só se encontra a noite, e poucas vezes. Nos finais de semana só resta o domingo mesmo. Ele até se esforça e acorda cedo para nós ficarmos juntos esse dia”, conta.

Lisies Jacintho, psicóloga especialista em relacionamentos, comenta que os casais devem tornar essa dificuldade em um aspecto positivo para o relacionamento. “É o caso das diferenças se completarem, porque a pessoa pode ir a academia, fazer cursos ou ter um grupo de estudos enquanto o outro trabalha”, aconselha.

Mas Amanda pensa diferente. Seu discurso é sempre o mesmo. Ela tenta convencer o namorado para trocar de área profissional, não trabalhar a noite e conseguir algo mais estável. Para ela, hoje em dia, a questão não são apenas os horários, mas também controlar o ciúme.

“Ele é um cara muito simpático, extrovertido. Ele precisa ser assim no trabalho. O problema é que a mulherada se aproveita disso. O pior é que muitas delas sabem que ele tem namorada”, diz.

Amanda conta que é comum muitas mulheres usarem o número de telefone ou e-mail profissional, que estão no cartão de visitas dele, para tentar marcar encontros. Isso sem contar os recadinhos no orkut. Ela nunca chegou a “rodar a baiana”, mas situações como essa a deixam ainda mais insegura. “Às vezes dou uma de "mulher chiclete" e me pego fiscalizando o celular para saber quem ligou. Quando vejo algum recado na página pessoal, mando direto um recado para a fulana”, confessa.

Seja qual for a circunstância, a estudante diz que o namorado tem sempre uma boa explicação. Por conta disso, ela pensa em terminar a relação várias vezes, mesmo estando apaixonada. Amanda confessa que hoje em dia o ciúmes atrapalha muito mais do que conciliar os horários.

Antes de sair por aí acusando o parceiro e agir por impulso, a psicóloga indica o bom papo para “aparar as arestas”. “Antes da acusação é preciso ver como a vida do relacionamento está e não esquecer que ela é feita das duas partes, na qual cada um assume a sua e toma conta de si mesmo. Cada um se dispõe a ouvir e refletir sobre o que ouve e tem o mesmo direito de falar. O diálogo é imprescindível na relação e a desconfiança é fruto de insegurança própria”.


Lisies acredita que no diálogo as pessoas se percebem melhor e sabem o que fazer com os sentimentos, “sem negar, nem fugir, trabalhar assim com a realidade e os fatos aperfeiçoando as percepções e centrando as emoções”, finaliza. Se mesmo assim, a insegurança ainda bater à porta, e a relação se tornar ainda mais difícil, talvez seja realmente o caso de terminar o namoro. E você, o que faria se estivesse na mesma situação de Amanda?

Por Juliana Lopes