Manual do primeiro encontro

Manual do primeiro encontro

Já ouvi muitas teorias (de mulheres de todos os tipos) sobre como a gente deve se comportar. E quer saber? Acho tudo uma grande bobagem. Tem gente que quando não quer transar não depila a perna nem a virilha. Tem gente que pensa ah, se eu for cabeluda é uma garantia de que não vou passar do ponto. Sabe o que eu acho? Se tiver que passar do ponto, por favor, passe. Existem chances que não voltam. Se o cara for lindo, cheiroso e beijar bem e você estiver a fim de curtição, se joga! Aproveita, relaxa, goza e volta pra casa com a pele linda e o humor docinho, docinho.

Não existe uma regra básica. Mesmo porque tem homem que ainda é machista (e um bando de mulheres também!). Tem um monte de caras que eu conheço que, mesmo em 2012, ainda julgam as mulheres que dão de primeira. Julgam, mas "comem", não é verdade? Infelizmente, alguns são do século passado e ainda se comportam de forma esquisita. O desejo não tem hora, nem etiqueta. E, honestamente, entre quatro paredes vale tudo que o casal quiser. Desde que exista respeito, é evidente.

Você não precisa se produzir toda para conquistar alguém. Pode passar um rímel e um blush, só pra dar um up no visual. É cafona sair toda montada, com três camadas de base e pó, salto 12cm, roupa que não deixa você respirar direito de tão justa e ficar o tempo todo controlando os movimentos. É ruim agir como uma atriz, ensaiando os passos. É tão bom ser você mesma. É tão saudável, tão gostoso. Além disso, se você faz tipo acaba entrando em um jogo perigoso e chato.

No primeiro encontro eu jamais comi sushi. Sabe como é, não fica bem colocar aquele pedação dentro da boca e ficar com bochecha de Kiko. Deixa o sushi pra quando tiver mais intimidade. Na dúvida, vai de risoto. Vai de massinha. Vai de salada. Mas cuidado com a alface presa no dente, né?


A única coisa que não deve rolar no primeiro encontro é mentira. Porque é difícil sustentar uma mentira muito tempo. Também não acho legal fazer tipo, fingir ser o que não é. Ser autêntica é sexy. Ser você mesma é sensual. Não tem nada mais bacana do que a gente poder ser quem é. E não ter a menor vergonha disso.

Clarissa Corrêa é balzaquiana, sardenta, escritora e publicitária. Autora dos livros "Um Pouco do Resto", "O amor é poá" e "Para todos os amores errados".

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