Literatura erótica

Literatura erótica

Foto: divulgação

Difícil assistir ao filme "Contos Proibidos do Marquês de Sade" e não correr para o Google ou para uma boa biblioteca procurar alguma coisa desse mestre do erotismo, autor de livros de arrepiar até a mais pudica das pessoas, que coloca no mesmo colo prazer e dor. Além dele, outros autores também podem preencher o desejo daqueles que se interessam por esse tipo de literatura. É o caso do russo Vladimir Nabokov ou até da conterrânea Hilda Hilst.

Flávio Braga que é autor de ficção e tem mais de 10 livros publicados, nove deles eróticos, escreveu com a esposa, Regina Navarro Lins, "O livro de Ouro do Sexo" (Ediouro) e, nele, dedicou um capítulo às obras principais do assunto. "A verdade é que passei grande parte da vida lendo livros de sacanagem", contou ao Vila Dois. E aproveitou para fazer uma seleção deliciosa de livros sobre o tema que a gente adora.

"Devemos inicialmente separar ‘manuais’ dos de narrativa, ou seja, livros do tipo ‘como fazer’ de histórias. Na primeira categoria há o famoso ‘Kama Sutra,’ reunião de técnicas e conselhos eróticos, indiano", lembra. Já as ficções são mais variadas. "Podemos citar o clássico ‘Satyricon’, de Petrônio, escrito entre os anos 40/50 D.C. Apesar dos quase dois mil anos de sua redação, é muito legível, encantador e excitante. A tradução para o português, de Paulo Leminsky, direto do latim, é ótima", garante. Para o autor, "As memórias de Casanova" também merecem referência. "Ele viveu no século XVIII e foi amante de mais de mil mulheres".

Se a intenção é conhecer os excessos do erotismo, a sugestão de Flávio é "Os 120 dias de Sodoma", do Marquês de Sade. "É o mais perverso livro já escrito. Sua leitura é um desafio. A regra é que se abandone, enojado. O que não afasta o seu valor".

Dependendo do gênero literário que se quer, há uma indicação diferente. "A arte de amar", de Ovídio, por exemplo, escrito no princípio do século I, é tanto um livro de poesia como manual de amor físico, segundo Flávio. Mas na lista dos melhores, ele cita seus favoritos, além de Sade: "Chordelos De Laclos, autor de ‘Ligações Perigosas’, composto no século XVIII; Henry Miller, do século XX, cujas aventuras em Paris são memoráveis; Apollinaire, que conseguiu produzir pornografia sofisticada e o grande Wladimir Nabokov, autor de ‘Lolita’ e criador do termo ninfeta".

Além desses, Flávio se lembra de D. H. Lawrence, autor de "O amante de Lady Chaterley" (BestBolso) e, a brasileira Hilda Hilst, inspirada poetisa que no fim da vida compôs "O caderno Rosa de Lory Lamb" (Editora Globo).

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Dos novos nomes da literatura erótica, Flávio cita o francês Michel Houellebecq, que possui elementos eróticos em sua escrita. Mas se a ideia é ainda começar nesse mundo cheio de curvas da literatura erótica, no caso dos ‘iniciantes’ na arte de deleitar um livro do tipo, a dica dele é uma obra sua mesmo, "O que contei a Zveiter sobre sexo" (Record).


Flávio publicou ainda, pela editora Best Seller, a coleção chamada "Placere", toda voltada para recontar os grandes clássicos do erotismo. São seis livros e saíram quatro até agora: "‘Eu, Casanova, confesso’, baseado nas memórias do maior conquistador da história. A confissão dele durou seis horas. Procurei imaginar o que o padre ouviu. Compus também ‘Sade em Sodoma’, sobre o marquês; ‘Sob Masoch’, relatando as agruras do homem que empresta seu nome ao masoquismo e ‘Enquanto Petrônio morre’, baseado em Satyricon". Agora é só procurar. E ler de preferência entra quatro paredes.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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