Liga ou desliga?

Liga ou desliga

Não conheço uma mulher que nunca tenha ficado ao lado do telefone esperando por um trim trim que nunca chega. Então a gente liga para o próprio número, só pra ver se ele está mesmo funcionando direitinho. E se alguém liga a gente é direta: estou esperando uma ligação e não posso ocupar a linha, até depois. E a espera é longa. E dolorosa. E muitas vezes é eterna.

Ansiedade devia ser o sobrenome de todas as mulheres. Não entendo o motivo, mas a gente tem a mania de tentar prever o futuro. Será que vai dar certo? Será que vai ser bom? Será que com ele as coisas serão diferentes?

Olha, lamento te contar, minha amiga, mas as coisas só vão ser diferentes se você agir de forma diferente. É fácil falar, mas não é fácil fazer, não é fácil se comprometer. Mas é preciso. Uma hora é necessário quebrar o padrão de comportamento, dar um basta, um chega pra lá em tudo que você aprendeu e viveu até hoje.

Acho que "culpa" é uma palavra meio forte. Mas se existe algum culpado por a sua vida emocional ser uma bagunça, desculpa a franqueza, mas a única culpada é você. Por quê? Porque você frequenta os mesmos lugares, tem os mesmos amigos, dá as mesmas risadas, se veste com as mesmas roupas, fala as mesmas coisas, faz tudo sempre igual. Uma vez aprendi uma frase que nunca mais esqueci: se o seu jeito não está funcionando é só trocar de jeito.

Não adianta você se queixar dos homens. Ou daquele cara que te conheceu, te encantou, prometeu ligar e sumiu do mapa. Não adianta você dizer que só atrai homem casado e complicado. É simples: você tem que parar de procurar no lugar errado. Tem que trocar o jeito. O comportamento. As atitudes. E, principalmente, tem que impor certos limites.

Eu não aceito receber pouca coisa. Não quero um cara que não me queira. Não quero alguém sempre ocupado. Não quero uma pessoa que promete uma coisa e não faz. Não quero não receber atenção. Não quero alguém que me trata como um acessório. Não quero uma pessoa que me liga por falta de opção. Quero ser a primeira opção sempre. Quero ser importante para a outra pessoa. E, olha, a gente sente quando é importante, essencial.


Aquela frase é batida, mas real: o outro só te valoriza se você se valoriza. Por isso, sempre é tempo de mudar. E sempre é tempo de não perder mais tempo esperando o trim trim que nunca chega.

Clarissa Corrêa é balzaquiana, sardenta, escritora e publicitária. Autora dos livros "Um Pouco do Resto", "O amor é poá" e "Para todos os amores errados".

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