(In)coerência

Incoerência

Estamos de mãos dadas mais uma vez. Eu e você.

Quem diria. Mais uma vez, somos "nós". Nós entrelaçados e inseparáveis. Nós ligados por uma força maior que nossa própria vontade.

Mas apesar da nossa amizade eterna e compatibilidade irrefutável, você nunca esteve nos planos. Nunca foi nem mesmo a segunda opção.

Você é demais. Mas é demais pra mim.

Eu queria mais. Eu queria um amor avassalador. Eu queria mistério e desafio.

Eu não queria coerência. Queria emoção. Não feijão com arroz.

E queria que você reconhecesse que eu não preciso de você. Não preciso do seu amor pelos meus defeitos. Me deixe em paz.

E eu peço: leia no meu desespero e angústia a mais profunda culpa e sinceridade.

Lealdade e devoção me pressionam demais.

Mas tudo o que faço só te atrai mais. Eu não sou quem você pensa. Juro que não sou.

E você impõe presença. E me deixa culpada por não corresponder. Me liga todos os dias. Me liga a cada cinco minutos para dizer que só pensou em mim nos últimos cinco minutos que passou sem ligar. E essa culpa vira raiva e repulsa. Pare de ser o que você deveria ser. Me dê uma razão plausível para eu te odiar. Porque quanto mais motivos você me dá para adorar sua existência, menos eu a quero perto de mim.

E se a sua insistência não fosse tão insistente, eu nem ligaria. Pode ficar aí, curtindo a sua carência e esperando a minha volta, que eu sigo a minha vida sem dor.

Reconheço que mulheres vivem de incoerência. Se você não me desse a mínima, a conversa certamente seria outra. Mas é isso mesmo que eu quero? Sofrer? Há um vício em causas perdidas.

E também me odeio por isso.

Mas o que mais eu poderia querer?

Por isso, decidi baixar a guarda e pegar carona com a resignação.

Só peço que antes coloque a minha música preferida.

E eu danço com você.

Eu vou gostar de quem gosta de mim.

Não vou mais te julgar. Não vou me julgar por estar com você. E não vou me julgar por ser julgada por todo mundo que nos vê de mãos dadas.

Não vou mais acatar exigências externas.

Afinal, quem sou eu para não querer você?

E naquela constante fuga que minha vida tem sido, na busca por aquele romance incrível, me encontrei num túnel sem outro destino senão você.

Eu poderia demorar o tempo que fosse. Você sempre esteve me esperando na saída.

Mas nunca foi a saída em si. Saída de emergência nunca é o destino oficial. É a solução caso tudo dê errado.

Mas o que posso fazer? Fui destinada a você. Tudo o que fiz, ainda que inconscientemente, sempre favoreceu mais ainda nossa união.

Vai entender. Isso sim é amor verdadeiro.

Por isso, reafirmo: vou parar de resistir e subir logo na sua moto. Não vou mais reclamar.

Então me leve com você. Vamos ser essa dupla invencível. Esse casal sensacional que eu tentei ser tantas vezes. Juntos e felizes, nem a morte nos separa.

Sem armadura nem cavalo branco, você venceu e me conquistou.

Você. Solidão incurável.


Marianna Greca é publicitária e nerd assumida. Social Media, webwriter, tradutora e desenhista compulsiva. Tão louca por Internet quanto pela Ilíada. Acredita que assumir a maternidade do mundo é o melhor caminho para a felicidade.

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