Homens submissos...

Homem submisso é tão útil quanto pinça quebrada. Tá bom, passamos as últimas décadas lutando para que eles sejam menos escrotinhos, não cutuquem o nariz em público, aprendam a lavar louça, saiam das fraldas e larguem do nosso pé. Com toda a razão: o mundo seria eternamente um espartilho tamanho P se a cada botão caído eles nos acordassem para costurar ou se o maior espaço que tivéssemos na vida fosse entre a caixa do aspirador de pó e a sala de jantar.

Lutamos e conquistamos um monte de coisas. Colocamos os homens no cabresto e daí todos os nossos problemas? mudaram.

Domamos os machões, trabalhamos até 11 horas por dia, deixamos a receita para o jantar separada para a empregada, fazemos compras de supermercado na hora de almoço, cuidamos dos filhos, fazemos luzes no cabelo, trocamos o óleo do carro e ficamos cansadas feito um camelo velho. Agora, vem cá, depois dessa suave rotina, o que eu não quero nem preciso é um bundão que recorra a mim a cada cinco minutos: ?Qual a cor de cueca que eu compro??, ?O que nós vamos fazer no fim de semana??, ?Em qual restaurante vamos levar o Ziguifrido e a Efigênia??.

Talvez tenhamos exagerado um pouquinho nesse processo de domesticação masculina.

Preciso de um homem que não tenha aberto mão das idiossincrasias da sua testosterona e compre só cueca branca porque é mais fácil. Um homem que seja proativo o suficiente para programar um fim de semana que me surpreenda, mesmo que nem sempre seja uma surpresa tão boa assim (não dá para acertar todas). Preciso de um homem que leia o bendito guia semanal de qualquer jornal e reserve mesa num restaurante bacana que ainda não conhecemos. Um macho que beije meu pescoço, lamba minha orelha e me convença deliciosamente a praticar sexo mesmo quando dou demonstrações explícitas de desânimo total. Um homem, enfim, não um garoto com medo de tomar bronca.

Já lutamos e conquistamos um monte de coisas, inclusive uma que não esperávamos: uma carência desgraçada, que teima em morrer de vergonha de se mostrar e nos corrói imperceptivelmente. Uma necessidade quase desesperadora de acolhimento e carinho que, certamente, não será atendida (ou sequer percebida) por um bundão. Eles são bons em ligar para perguntar se aquela dor de cabeça passou, mas não têm presença de espírito para comprar um Tilenol.

A verdade é que não precisamos de homens submissos ? por que raios nós gostaríamos de ser casadas com alguém sem opinião própria? Precisamos é de um pouco de semancol e, talvez, umas sessões de terapia para reaprender a pedir colo, ficar frágeis, fazer uma comidinha gostosa para ele simplesmente porque deu vontade. Voltar a não ter medo de ser mulher. Tudo pode ser mais simples se nos desarmarmos.

Sabe de uma coisa? Homem submisso é como ?homem pé de mesa?: muito bacana e excitante na teoria, mas um transtorno na prática.

Por isso costumo dizer sempre... detesto gente previsível demais, relacionamentos "mornos".

Podem até mesmo me chamar de egoísta, individualísta, não tem problema...me sinto uma mulher independente, moderna, mãe, dona de casa, estudante, que não precisa de um homem apenas para paisagem no meu sofá. Não me imagino dando ordens até para a "criatura" tomar banho, curtar as unhas, cabelo, lavar o carro, ajudar nas tarefas da casa...meu Deus!! Isso seria pedir de joelhos... QUERO SER INFELIZ POR FAVOR!

Esse "quadro da dor" não se encaixa a minha pessoa!GRAÇAS A DEUS!

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