Homens gentis

Homens gentis

Ele abre a porta do carro, se oferece para pagar a conta. Coloca o casaco no seu ombro, no menor sinal de garoa. Não deixa você andar do lado da calçada perto da rua. Espera seu prato chegar para começar a comer, mesmo no restaurante fast food. Um lorde. Gentil como um príncipe da realeza. Sonho? Para muitas donzelas, o retrato do homem ideal. Para outras, a receita para uma relação fadada ao cansaço.

Ana Maria Rezende, de 29 anos, acha esse tipo de homem encantado, se existe, corre risco de extinção. "Pra ser sincera, não sei o que é homem gentil. Só vejo em filme e novela mesmo", lamenta. Mas a moça garante que adoraria ter um ao seu lado. "Acho que faltam homens gentis no mundo. Ainda mais hoje, com a essa ‘igualdade’ entre homens e mulheres. Nós mesmas não damos espaço".

Assim como Ana Maria, Susana Freitas, 31, também concorda que as mulheres limaram um pouco os homens gentis, aqueles, a moda antiga. "Acho que eles têm medo de ser bonzinhos demais e a gente pisar. Mas seria muito bom ter um homem gentil ao meu lado, bem educado. Hoje, quando meu namorado abre a porta do carro, já acho que aprontou alguma coisa", se diverte.

Joana Falcão, de 35 anos, é mais experiente. Já foi casada e, hoje, curtindo a solteirice, gostaria de poder contar com um cavalheiro ao seu lado. "Adoro homens educados, românticos. Não precisa ser meloso, bobo, careta", explica, falando que precisa uma medida certa. "Gosto daqueles que puxam cadeira pra mulher sentar, abrem porta do carro. São pequenos gestos, palavras agradáveis e sinceras que mostram a educação e gentileza de um homem". Ela acha, ainda, que não adianta forçar, esperar que um bruto aja como um membro da corte. "Cavalheirismo ou nasce com o homem ou ele pratica desde a infância! Não são modos que se aprendem da noite para o dia".

No meio dessas que sonham com seus príncipes, existem aquelas que adoram um homem no melhor estilo "Marcelo Dourado do BBB" de ser, rústico. "Tenho muitas amigas que adoram os cafajestes", fala Raquel Pereira, de 28, sem querer se entregar. "Eu também acho que homem muito bonzinho é suspeito. Mas não tem como não se derreter por uma boa gentileza".

Luana Carrão, de 30, tem medo também de muita bondade. "Homem delicado demais, preocupado demais, que se esforça demais para agradar não é seguro de si e precisa ficar impressionando o tempo todo. Prefiro a sinceridade, ainda que ela seja menos educada".

Os homens, pelo menos os que se dizem gentis, sofrem com essas mulheres cheias de opinião formada sobre tudo. "Eu não faço nada forçado. É meu jeito de ser. Fui criado numa casa só com mulheres, aprendi o que elas gostam e como gostam de ser tratadas. Odeio que isso pareça insegurança. Deveria ser a melhor qualidade", lamenta Ivan Cardoso, de 28.

Roberto Tadeu, de 32 anos, disse que já desistiu de entender as mulheres. "Acho que muitas estranham quando um homem se comporta com delicadeza e gentileza. Estão acostumadas com a malandragem do homem", opina. "Eu já não sei o que fazer. Tento manter o meio termo, para não ser tachado de bobo. Mas acho mesmo que cada um deve procurar uma metade compatível, que goste daquilo que o outro saiba proporcionar, seja gentileza ou não".


Esse equilíbrio tão sonhado entre o que se busca e o que se encontra é o dilema gostoso da vida real e dos relacionamentos amorosos. O ideal é não confundir gentileza com fraqueza. Ser gentil - do tipo sincero, claro - não tem nada de covardia, medo, submissão. É força, ainda que com seu lado delicado à mostra.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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