Homem machista machuca

Homem machista

Não adianta. Os tempos são outros, o mundo é moderno, mas existem ainda aqueles homens que parecem saídos de um livro de história antiga e carregam o machismo no bolso, sempre com eles. Consideram a mulher um objeto, sempre inferior, quase de decoração. Não se importam com suas decisões e nem com suas vontades. Tudo o que querem é satisfazer os próprios desejos.

Não existem estatísticas - e nem um aviso na testa - que diga quantos ou quem é machista por aí. Para identificá-los é preciso abrir os olhos, prestar atenção nas atitudes antes de se envolver. Depois de casar, se livrar desse tipo de homem pode ficar até perigoso.

Roberta Silveira, assim como a Vilamiga Paty, foi casada por 17 anos com um da espécie puramente machista. Ela não podia trabalhar e quase sempre as opiniões dele a faziam trocar de roupa ou manter o penteado. Dinheiro ela só tinha se ele desse. E ai se o almoço ou o jantar não estivessem prontos na hora certa. Como todo ‘bom’ machista, o marido Sérgio não ajudava nas tarefas domésticas e mantinha uma relação de dominação sem tamanho. Violenta às vezes!

Ela se casou muito cedo, quando ainda tinha 18 anos e já estava grávida. Aguentou a submissão por conta dos filhos. E hoje agradece todos os dias pela liberdade de ir, vir e acordar a hora (e onde) que quiser.

A psicóloga Thays Babo, que atende na zona Sul do Rio de Janeiro, diz que ninguém se torna machista apenas depois do casamento: ele já era antes, no namoro, no noivado. “Mas, de alguma forma, a mulher aceitou isto anteriormente e aí complica mudar as regras no meio do jogo. O homem machista vai achar sempre que ele tem direitos especiais”, diz. Ele pode querer sair com os amigos para jogar bola, mas vai ficar brabo se você for ao shopping com as amigas.

“Além da falta de cooperação nos serviços de casa, no envolvimento com filhos, pode também impedi-la de trabalhar ou ainda proibir que use certas roupas, que considera provocativa. Há casos patológicos. E a mulher que escolhe um homem assim também tem de se rever, se auto-analisar para ver porque se interessou por ele”. Muitas vezes elas aprenderam este modelo em casa, vendo a relação dos pais. Outras, podem apenas repetir o ‘estilo’ comum ao meio em que vivem, como em algumas cidades mais conservadoras ou do interior, por exemplo.


Thays diz ainda que esses machistas são reflexos de milênios de desigualdade, com o homem dominando e subjugando a mulher. “Leva tempo para mudar as mentalidades. E hoje ainda vemos casos de violência que acabam em morte, muitas vezes com fundo em machismo exacerbado”, alerta.

Mas por trás dessas atitudes equivocadas, Thays acredita que pode haver uma grande insegurança. “O machista quer dominar para não perder o controle, para não ser traído. Também teme ser desvalorizado perante amigos, familiares, vizinhos. Preocupa-se mais com o julgamento dos outros do que com o bem estar da relação”, pondera.

E a psicóloga diz ainda que não se pode esquecer do papel da mulher neste jogo. Algumas mães acabam criando filhos e filhas machistas. Quando não ensinam ao filho, por exemplo, a importância de cooperar nas tarefas domésticas ou dizem às filhas que é o homem quem deve bancar suas despesas, acabam perpetuando o comportamento.

Se o machismo parte dele ou é aceito por ela, no meio disso há uma falta de respeito enorme. Entender a própria condição é o primeiro passo para evoluir e mudar o comportamento. E psicoterapia também pode ajudar.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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