"Homem cobra, mulher polvo"

Homem cobra mulher polvo

Ilustração referente ao jogo da conquista feita por Roberto Negreiros.

Os cromossomos determinam a vida sexual dos animais e dos seres humanos. Para o psiquiatra Içami Tiba, autor de 28 livros e uma referência no Brasil quando o assunto é comportamento entre homens e mulheres, principalmente pais e filhos, a principal diferença da espécie humana está no "como somos", ou seja, nos diferenciamos dos animais porque usamos a razão, a inteligência e a criatividade.

"O simples ritual biológico do instinto sexual se transforma entre os seres humanos uma história de amor única e verdadeira para o casal de amantes. A propaganda enganosa fica por conta dos cromossomos, que continuam determinando novas atrações - que, por sua vez, o "como somos", teima em chamar de paixões, romances e galanteios", explica.

Em seu livro "Homem cobra, mulher polvo", com mais de 100 mil exemplares vendidos no Brasil e Europa, o psiquiatra ressalta através de várias situações engraçadas o papel da mulher e do homem em fases da vida, da simples paquera até a função de pai e mãe. Comportamentos rotineiros como sexo de manhã, orgasmo e filhos no supermercado são explicados de forma bem humorada, sendo a mulher chamada de "polvo", ele de "cobra". "Refiro-me a cobra com o um tentáculo desgarrado do polvo, que, por sua vez, funciona com todos os seus oito tentáculos simultaneamente, isto é, a mulher multitarefa. Corte-se um dos tentáculos e tem-se a cobra, que depende dela em várias fases da vida", explica.

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Em entrevista ao Vila Dois, Tiba comentou sobre as mulheres que estão tentando sair dessa verdadeira essência. Algumas assumem o papel dos homens: são competitivas e objetivas no trabalho, e, às vezes, preferem sair na frente no jogo da conquista. Mas parece que elas estão se perdendo neste novo caminho, principalmente porque se deram conta de que não conseguem cumprir os vários papéis que lhe são incumbidos e "carregam tudo nas costas".

Essa exigência da mulher ser perfeita em todos os aspectos: lar, família e trabalho é algo que ainda prevalecerá por várias gerações?

A mulher precisa evoluir sem se cobrar tanto, mais do que isso, ela precisa achar que não é uma mãe eterna e não é responsável pelos seus filhos por toda vida. A gente vê por aí muitos adultos que ainda permanecem na casa dos pais. Ela chega a infantilizar o filho que já deveria ter a sua independência. O mais importante dessa história é que ela também vira a mãe do marido e o trata igual ao seu filho, isso é que está errado. Ela não deve assumir o papel de mãe também com o seu companheiro.

Com o passar dos anos, as mulheres estão mais objetivas e competitivas no mercado de trabalho. No sexo não são tão passivas e se permitem conquistar os homens. O que você acha dessa mudança de comportamento?

Se ela correr atrás do modelo masculino, fazer igual a ele na conquista, certamente não terá sucesso. Ele não vai levá-la a sério e não irá respeitá-la. Acredito que na questão do mercado de trabalho, as mulheres levaram a casa para o escritório, ou seja, aquelas que são mães cuidam dos seus colegas de trabalho como se fossem seus filhos.

Os homens, por sua vez, também mudaram o seu comportamento?

Muitos agora assumem tarefas da casa e também começam a tratar delas de outra forma, acho que estão amadurecendo nesse aspecto. Eles fazem compras e aprendem que devem agradá-las.


Sendo assim, o psiquiatra dá um recado para eles. "O cobra (homem) deve ampliar um pouco a sua visão em tudo e abrir os olhos para o que acontece ao seu redor. Peço aos homens que sejam perseverantes em sua disposição em ajudar, pois "as polvos" são centralizadoras e acabam mesmo ocupando todos os espaços com seus tentáculo", finaliza.

Por Juliana Lopes

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