Figurinha repetida não completa coleção?

Figurinha repetida não completa coleção

A máxima é essencialmente masculina (ou machista): figurinha repetida não completa coleção. Em rodinhas de homens, a frase sempre pipoca quando o assunto são as ex-namoradas ou ex-mulheres. Eles, geralmente, acham desperdício ficar ou investir novamente num relacionamento com algum affair do passado. "Remember" pra eles, nem pensar.

E agora, adivinha quem também aderiu essa "regrinha" moderna? As mulheres. E a razão se baseia numa palavrinha corriqueira: a competição. "A partir da emancipação da mulher, da sua conquista de espaço social e profissional, muitas passaram a reproduzir comportamentos e atitudes próprias dos homens, como a competitividade. E elas podem buscar outras ‘figurinhas’ para completar o próprio álbum numa tentativa de se autoafirmarem diante de outras mulheres", diz o psicólogo Paulo G. P. Tessarioli, especialista em sexualidade humana.

A dificuldade, no nosso caso, é que as mulheres estão mais sujeitas às pressões e apelos sociais do que os homens. "Mulheres que tem muitos parceiros, ‘ficantes’ ou namorados, passam a ter um ‘currículo’ relacional pouco valorizado. Este perfil, socialmente falando, é menos aceito ou até mesmo reprovável para mulheres", analisa Paulo.

"A questão de investir na mesma pessoa, depende do nível de sintonia entre o casal e do amor já construído. Se você, junto com essa 'figurinha', construiu uma relação positiva, com certeza valerá apostar na relação.

Porém, se construiu algo duvidoso, cheio de dores, posse e mágoas, não vale a pena continuar ou insistir", sugere Cláudya Toledo, conhecida como terapeuta do amor e autora de livros como "Manual da Cara-metade" (Editora Globo).

Mas às vezes, investir num relacionamento com ex-marido ou namorado pode não ser tão simples quanto parece. "É preciso analisar os objetivos. Virar amante da pessoa amada, com a ilusão de não se afastar completamente, é uma decisão perigosa. Ela impede o luto da separação e pode prolongar o sofrimento", diz o psicólogo.

Em outro caso, quando a relação com o ex era ruim e agora há a ilusão de dias melhores, há o risco de uma situação mal resolvida vir à tona a qualquer momento. "Neste caso, a ajuda de um profissional especialista em psicoterapia de casais pode ser útil para auxiliar nos ajustes necessários para que a relação prospere ou até para mostrar que o mais acertado é mesmo a separação. Muitas vezes, alimentando a esperança de ‘mais uma chance’

desperdiçamos uma boa oportunidade de colocar fim numa relação de tortura e sofrimento", pondera o especialista.

Claudya lembra que se a pessoa já estava numa relação emocionalmente abalada e cheia de armadilhas, com certeza, vai reviver o filme. "É preciso mudar e transformar positivamente a relação. O amor traz em si a possibilidade de mudanças, porém é preciso ter consciêcia de tudo isso. Devemos nos unir pela consciência ao invés de nos separar pela ignorância", sugere.

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Na hora do "revival" é preciso identificar se a situação é motivada por carência ou se trata de padrão repetitivo de relacionamento. "Esta situação pode denunciar que alguém (ou até mesmo os dois envolvidos) é dependente de afeto e não sabe. Com ajuda profissional, geralmente de um psicólogo especialista em dependência, é possível compreender o que está acontecendo e até desenvolver uma percepção mais favorável das situações em que o afeto está envolvido", finaliza Paulo. Se recordar é viver, aposte nas boas lembranças. Cheio ou não, o álbum só tem a agradecer...

Por Sabrina Passos (MBPress)

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