Festa do divórcio e Bodas de Papel (rasgado)

Festa do divórcio

Para alguns celebrar o fim do casamento pode soar algo de mau gosto. E, realmente, à primeira vista, a ideia parece estranha, afinal, ninguém almeja começar uma união pensando no seu fim. Mesmo assim, muita gente aderiu à moda da festa do divórcio, que começou nos Estados Unidos e hoje em dia até conta com um mercado especializado. Mais uma dessas invenções dos norte-americanos.

A festa chegou ao Brasil e tem poucos adeptos como a assessora de imprensa Meg Souza, 29. "Acho que é uma forma de quebrar esse tabu de que o divórcio deve ser triste, sofrido. Se comemoramos o casamento, por que não o divórcio? Afinal, é uma nova vida que começa, nada de tristezas. Se o casório não está bem, qual a razão para continuá-lo? Preferi ser uma solteira feliz do que uma mulher casada e sofrer".

Depois de quatro anos de casamento, dois de separados e algumas tentativas de reconciliação, um dia Meg estava procurando sobre divórcio na internet e viu eventos do tipo no exterior. "Descobri que era algo freqüente e amei a ideia". Logo em seguida, ela pegou o telefone e falou com vários amigos.

"Eles toparam na hora. Fizemos um mega evento com direito a bolo repartido no meio, bem separado e gogoboys. Uma festa a fantasia com DJ, banda e buquê de rosas com preservativos feito por uma artista plástica". Meg conta que no dia seguinte foi só elogios, todos adoraram a comemoração que começou às 22h e terminou às 06h30, isso no dia 23 de maio do ano passado. Pois é, o mês foi escolhido a dedo.

Os detalhes não param por aí. Meg teve "dia da noiva". A entrada foi ao som de violinistas e música eletrônica. Já o cardápio da festa que aconteceu em uma balada em São Paulo, bairro Vila Madalena, teve direito a comida japonesa.

"Fiz mesmo para comemorar. Contei com a ajuda de vários apoiadores, parceiros. E, sem dúvida, foi bem melhor do que o meu próprio casamento". Segundo a assessora de imprensa, um dos motivos da separação foi a "incompatibilidade" de gênios. "Os objetivos não eram mais os mesmos. Gostos e sonhos mudaram", diz Meg que inclusive chegou a convidar o ex para a festa, que por motivos óbvios não foi.

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Da festa de casamento, Meg também chamou a mesma madrinha, que topou a brincadeira sem receios. "A Meg é uma super amiga e fiquei muito feliz em ser a sua madrinha nesses dois momentos da vida dela. Acredito que se a separação foi para o bem do casal, não me oponho a fazer uma festa como essa. Mas acredito que não é para qualquer um, depende muito da personalidade da pessoa, das suas vontades e como o divórcio afetou a vida. No caso da Meg ela tinha tudo que a levava a isso", comenta a amiga Jessica Kirsner, 29, solteira. Na opinião da empresária, iniciativas como essa não torna o casamento algo banal e fazem as mulheres se sentirem melhor.

"O casamento hoje em dia realmente já não é como antigamente. Se o amor acaba, não faz sentido manter um casamento apenas por conveniência e superficialidade. Acho legal ser original, mesmo que isso afete algumas ideias da cultura social que temos".

Depois da repercussão da festa, Meg resolveu repetir a dose e criar a Boda de Papel Rasgado, um ano depois no dia, 29 de maio, nos mesmos moldes do evento anterior. O evento teve banda, música eletrônica com violinistas e os convidados vestidos com fantasias. Ao invés de branco, Meg optou por um modelito preto mais ousado, curtinho, e botas de cano alto. Véu e buquê de flores também entraram no visual.


A intenção da assessora de imprensa é fazer outras festas a cada ano, talvez não nas mesmas proporções, apenas para lembrar que o divórcio não parece algo tão ruim assim.

Por Juliana Lopes

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