“Eu que amo tanto”, por Marília Gabriela

“Eu que amo tanto” por Marília Gabriela

Divulgação

Fazer tudo por amor parece receita pronta para o final feliz que todo mundo sonha. Pode ser roteiro no cinema, de história romântica. Pode povoar o imaginário de muitas mulheres. E pode virar livro. Melhor ainda se for pelas mãos de Marília Gabriela. Mas levar o sentimento às últimas conseqüências e abrir mão de coisas mais importantes pode virar uma armadilha.

Pelo menos foi isso que Marília descobriu quando passou a freqüentar o grupo Mulheres que Amam Demais Anônimas - Mada - um programa de recuperação para mulheres que querem se curar da dependência de relacionamentos destrutivos.

Lá, a jornalista presenciou histórias de mulheres que abriram mão da família, da vida profissional, da individualidade e, por vezes, da própria sanidade. O motivo: aquela emoção sublime que começou trazendo frio na barriga, com o tempo, foi se transformando numa grande cilada com cara de patologia.

No livro “Eu que amo tanto”, Marília mergulhou na vida de 13 mulheres que sofrem por amar demais. “São pessoas como eu, como você, como todo mundo, milhares, centenas de mulheres, com quem devemos cruzar em nosso cotidiano, tantas mulheres que cumprem a vocação do nosso gênero, ao amar demais, nesses tristes tempos nossos” diz a jornalista, no livro.

No contato que teve com as mulheres, através do Mada, o que mais impressionou Marília foi a linha fina que separa o amor da doença. Sentimentos (ou sintomas) como angústia, ansiedade, desespero, inquietação e pânico - mas também coragem, força e esperança - ilustram as histórias dessas mulheres.

Sem a pretensão de explicar ou julgar as atitudes das entrevistadas, Marília Gabriela confessa que não tem resposta, apenas algumas conclusões particulares sobre o assunto. O que fez, como boa jornalista, foi ouvir, dar voz e interpretar relatos comoventes. Narrado em primeira pessoa, ainda que anônimo, o texto tem cara de confissão.

Com a tinta literária, às vezes até exagerada, Marília dá cor ao drama dessas mulheres. A sensibilidade e experiência da jornalista para extrair a essência de seus entrevistados, aliada as belas imagens de Jordi Burch, fazem de “Eu que amo tanto” um livro emocionante.

Fotos do livro Eu que amo tanto

Lançado pelo Rocco em dezembro, trata do amor e seus desvios - e da força desse sentimento que nem sempre tem um final feliz. Marília Gabriela é também atriz, comanda um programa de entrevistas no canal a cabo GNT e ainda acredita no amor.

MADA:

O primeiro Grupo Mada do Brasil foi aberto em São Paulo, por uma mulher casada com um dependente químico. A primeira reunião, nos Jardins, foi realizada em 1994. Hoje o Grupo realiza cerca de 40 reuniões semanais em todo o país, distribuídas em 11 Estados e o Distrito Federal, além de Lisboa, Portugal. O grupo segue as linhas de apoio do Alcoólatras Anônimos, inclusive com os 12 passos tradicionais do A.A. Mais informações www.grupomada.com.br.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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