Eternos tabus femininos

Eternos tabus femininos

Jornal das Moças. Foto: Reprodução

Desde a primeira fase da revolução sexual, no Brasil, já se passaram quase cinquenta anos. Embora assuntos polêmicos venham sendo discutidos durante todo esse período, eles parecem não acabar. Os temas são variados, vão desde sexualidade até a independência feminina, passando por família e saúde.

A antropóloga Mirian Goldenberg diz acreditar que as mudanças ocorridas nos últimos cinquenta anos foram muito grandes, mas que alguns valores permaneceram. Dois dos temas que mais aparecem nas capas das revistas dizem respeito à carreira e família, questões eternas do universo feminino. Vale mais casar e ter filhos aos vinte e poucos anos ou conquistar sucesso profissional e correr o risco de ficar solteira e sem os sonhados bebês?

Saiba que, comparativamente, as brasileiras ainda dão muito mais valor ao casamento e aos filhos do que as mulheres de outras culturas. "Aqui, a mulher só é vista como uma fracassada", dispara Mirian. "Coisa que não ocorre na Alemanha, por exemplo, país que tenho pesquisado. Mesmo as mulheres muito bem sucedidas querem casar e ter filhos. Acho que esta é uma escolha pouco legítima em nossa cultura, não ter filhos ou não ter um marido ainda são vistos como fracassos femininos", completa.

A antropóloga diz que o motivo destes tabus nunca saírem das capas de revistas é o fato de a mulher ainda ter o desejo de maior escolha e maior liberdade. "As mulheres que pesquiso dizem que o que mais invejam nos homens é a liberdade. As brasileiras querem ser mais livres em todos os sentidos, querem poder ter mais escolhas como os homens", comenta Goldenberg.

E quando o assunto é desejo sexual, a conversa fica ainda mais complicada. Muitas mulheres se negam a se informar sobre determinados assuntos. É como se a sociedade fechasse os olhos para aquilo que incomoda. A antropóloga diz que alguns temas ainda são tabus e muitas mulheres não aprendem o que realmente querem e gostam. "O prazer também é socialmente construído. As brasileiras sabem muito pouco sobre como descobrir o prazer em seu corpo".


Vale ressaltar que tabu não é exclusividade feminina. Homens são, e se sentem, mais livres, mas não totalmente. Eles também têm medo de experimentar prazeres proibidos. "Muitos se preocupam em provar que são ‘homens de verdade’ e, portanto, não podem experimentar prazeres que são considerados femininos ou de homossexuais. Eles também sofrem e se limitam em função dos preconceitos", finaliza Mirian Goldenberg.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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