Era uma vez

Em meio a uma modernidade caótica, complexada e difícil, mil e uma histórias de amor bonitas pelas ruas das cidades grandes e pequenas, caminhando de mãos dadas sob calçadas, pontes, chão de barro. Discursando dentro dos carros, devaneando antes de dormir, atirados no cansaço de fim do dia na cama, depois de lavar a alma, alimentar o corpo para enxugar os problemas, aninhados de amor. Mas, de todas essas histórias que começam com "era uma vez", eu fico feliz em preferir - e continuar a escrever, dia após dia - a nossa.

Sem contar com a perfeição daqueles moldados e pré-fabricados um para o outro, é na base das inúmeras diferenças que se estabelece uma felicidade possível, complementar. Cúmplice. Do começo boêmio em frente à festa temática em casa noturna duvidosa, os socos no saco de boxe, telefone marcado no celular. Evoluídos para conversas diárias, táxi juntos, garrafa de vodka quebrada, primeiro beijo no canteiro do clube onde a gente nunca mais entrou. Pras mil e uma festas juntos onde se dizia: "quero ir embora", e acelerados íamos ao ninho. Noites de sábado e sexta reservadas pra passar só os dois, até às 6h da manhã.  Saudade durante a semana, palavras de incentivo, abraço certinho e apertado, que vale as agruras do Universo inteiro. Inúmeras primeiras vezes, momentos únicos, grude dual: enfim, casal. Dia dos namorados em companhia canina, almoço chinês e filme de guerra. Jogo do time com chuva fininha, cartas de despedida, ursinho pego em máquina de parque de diversões. Passar frio na praia, jogar boliche, quase uma semana de natal que teve ala minuta como ceia e troca de presentes antes da meia noite.

Ano novo com beijo para entrar 2012 bem, finais de semana em refúgio, idas ao centrinho, quase uns 20 ou 30 filmes em par, tristeza na hora de dar tchau. O apoio na minha experiência longe de casa. A força de quando o trabalho aumentou, o tempo encurtou e sair da bolha para dividir o pouco horário livre entre lazer, família, academia, amigos, curso da faculdade, hobbies. Teve aprendizado, crescimento, paixão demais, razão de menos, figurinhas lendárias pra não esquecer jamais. Chorinho quando tem briga, silêncio até cicatrizar. Um tempo distantes pra colocar as ideias no lugar, e as mudanças, enfim, em prática. Tem hoje paz, caminhadas sabatinas, vida geek à dois, noites em que se dorme cedo pra aproveitar o dia, intimidade de sobra, amizade acima de qualquer outro sentido. Enrolação preguiçosa de manhã, cosquinhas pra ver se levanto e me visto, tomo café. Colinho com felicidade duradoura de uma semana talvez. Compreensão com a minha impulsividade, entendimento após frases positivas de quem só quer o bem, só da carinho, quase diz amém.

É essa vez e, ainda bem, continua sendo. Que a gente crie parágrafos, adcione frases, se permita prosear o dia a dia. Tantos capítulos ainda a digitar, tragam mais folhas em branco pra que seja possível pintar esse crescimento conjunto, por favor.

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