"Entre Nós": projeto expõe a violência contra mulheres

Projeto Entre Nós

"Eu cheguei a ficar em coma". "Ninguém acreditou em mim". fotos: Projeto Entre Nós

De acordo com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), entre 2011 e 2013 cerca de 5.500 mulheres foram vítimas da violência e mortas por conta de agressões. Isso contabiliza um óbito a cada uma hora e meia. A violência contra as mulheres é uma realidade triste e foi exposta no projeto "Entre Nós", da fotógrafa Valérie Mesquita.

As faces nas fotografias são de modelos, mas o público atingido pelas fotos e frases costuma ser de mulheres muito sensíveis a isso e que podem já ter passado por situações parecidas. A exemplo de Cristina, de 47 anos, que detalhou sua história ao "Vila Mulher".

"Fui casada com um homem violento e, ao longo do tempo, com a degradação da relação, qualquer situação de desagrado era justificativa para algum tipo de agressão física ou verbal", conta Cristina.

Ela, que ficou junto do agressor por dois anos antes de se casar, afirma que as agressões começaram logo após a lua-de-mel. "A violência surgiu de forma velada, depois foi crescendo e por fim era algo explícito a ponto de estranhos intervirem. Hoje vejo que aceitar o primeiro ato significa destrancar a porta para atos piores", revela.

A reação surgiu quando, além de todas as ameaças de morte, caso ela fosse embora de casa, o ex-marido agiu com rispidez com o filho do casal. "Ele queria sair para a balada e meu filho pulou no colo dele, pedindo que ficasse em casa. Ele o tirou com firmeza e indelicadeza e praticamente o jogou nos meus braços. Isso me chocou e fez a luz vermelha acender. Nesse momento me determinei a deixá-lo, mesmo que isso custasse minha vida", relembra Cristina.

No processo de separação Cristina reuniu coragens para indiciar o ex pelas agressões sofridas, mas nem tudo foram flores. "As delegacias não têm pessoal suficiente. Em todas as vezes que fiz um B.O. tive que entregar a intimação ao agressor, sofrendo, então, novas ameaças", conta ela. O homem passou por audiência apenas uma vez, recebendo pena alternativa para que o juiz não precisasse abrir um processo, que seria longo e custoso.

Hoje o agressor vive com outra mulher - com quem Cristina já tentou contato, sem sucesso. "Tenho certeza de que nunca mais entro em uma situação dessas. Sempre existirão homens violentos, mas eu mudei meu olhar, minha compreensão e minha atitude perante pequenos e sutis sinais de violência latentes em um relacionamento. Hoje estou namorando e feliz", observa.

Segundo ela, o importante do projeto de Valérie é ilustrar, chocar e conscientizar as mulheres de que é possível sair do ciclo de abuso. "Quanto mais mulheres souberem que não são as únicas, que outras encontraram caminho ou solução, menos difícil será darem o primeiro passo para sair das asas do agressor."

É importante, também, que você não se culpe e procure ajuda caso se veja no meio de uma situação assim. Por mais que as pessoas digam as mais diferentes ofensas para que você se sinta mal, busque o auxílio da sua família, amigos, profissionais, etc.

Caso você se veja isolada por conta da relação danosa, procure alguma ONG, delegacia especializada, serviço social, RH da empresa onde trabalha ou até uma igreja para que alguém possa prestar alguma assistência.


Denuncie o caso. Mesmo que você esteja descrente do atual sistema de punição. Existe, sim, saída!

Por Juliany Bernardo (MBPress)

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