Ele foi embora?...Como assim?

Às vezes a gente acha que sabe tudo, que conhece o homem com quem dividimos a nossa cama, pensa que tá tudo bem, e de repente é surpreendida com as malas prontas como se esse homem fosse um hóspede e a sua estadia acabou.

Um casamento perfeito! Com direito a briguinhas, amigos em comum, problemas divididos, comemoração de datas especiais, tudo dentro dos padrões, um casal absolutamente normal.

Doze anos de relacionamento, aparentemente feliz, uma filhinha linda, uma situação financeira estável, um casal de fazer inveja a qualquer marido ou mulher infeliz. E ele chegou assim, na lata, disse que estava partindo. Não agüentava mais fingir, estava infeliz, havia conhecido uma outra pessoa e queria dar um tempo. Estava tudo resolvido: o advogado já estava ciente de fazer uma divisão justa, que nada lhe faltaria e o apartamento era dela.

Eu não soube o que dizer...Ela não sabia dizer, estava tão surpresa quanto eu (foi isso que ela me disse), mas percebi o seu esforço de continuar sorrindo, disfarçando uma falsa alegria que os olhos teimavam em denunciar a angustia do coração.

Ela forte, vai sobreviver.

Sempre fomos amigas, desde adolescente, não nos vemos com freqüência, temos vidas diferentes, cada uma seguiu o seu caminho, mas sempre que nos encontramos ( já tivemos intervalos de cinco anos) é como se fosse ontem.

Um detalhe nas palavras, quando eu perguntei pelo “maridão”, foi o que mais me chamou a atenção: “Ele foi embora”.

Ela poderia ter dito: “nos separamos”, seria o normal, algo tão comum hoje em dia, como dizer que mudou de emprego. Mas as palavras foram ditas pelo sentimento de abandono. Muito diferente de uma separação, onde duas pessoas tomam uma decisão.

Gente, como é que pode alguém chegar assim, sem motivo, simplesmente arruma a mala como se fosse dar um passeio? Será que somos tão cegas a ponto de não enxergar os indícios de uma relação falida? tão insensível que não damos conta do desfecho? Ou será que ocupada demais com nossos problemas, viajando nas nossas angústias não vemos que o outro também sofre?

A gente acha que sabe demais, pensa que o conhece o outro como a palma da mão, e não sabemos sequer com quem dormimos.

Saber das preferências, a cor preferida, do prato predileto, o perfume, a música...nada disso nos faz conhecedor da vida de ninguém. Nunca iremos saber o que o outro pensa, mesmo que os anos nos torne uma só pessoa (ver post “infelizes para sempre”) nunca saberemos do que o outro é capaz. Porque nem mesmo nós sabemos quem de fato somos.

E eu que pensava que sabia de tudo...

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