E se o seu namorado fosse parar no Lulu?

Namorado no Lulu

Foto: Ulrike Schanz/Westend61/Corbis

O aplicativo Lulu, um dos mais baixados aqui no país, permite que a mulher avalie os homens com quem ficou ou não. Por meio de hashtags são atribuídas qualidades e defeitos ao candidato e uma nota final, de 0 a 10, é dada pela ferramenta. Só que a diversão parece ficar comprometida quando a usuária descobre o seu atual namorado no Lulu.

Priscila*, 29 anos, casada, pensa que encontrar o marido no aplicativo faz parte da brincadeira. "Quando o conheci sabia que ele tinha se relacionado com outras mulheres, portanto, já tinha sido avaliado muito antes da invenção do Lulu (porque nós, mulheres, sempre agimos assim, comparando e classificando nossos companheiros)"

E afirma: adoraria ler a opinião de outras pessoas. "Isso não despertaria ciúme, raiva ou qualquer outro sentimento negativo. Pelo contrário. Ficaria super curiosa para saber dos resultados e comentaria com ele numa boa. Se ele está na rede social, está aberto a avaliações e julgamentos e a gente precisa ser madura para entender isso."

Nicole*, 20 anos, namora há seis anos e pediu para uma amiga dela ver se o parceiro havia sido avaliado no aplicativo. Por sorte, como ela mesma define, não havia nada. "Se tivesse, mesmo que uma avaliação, eu ficaria muito brava. Afinal, quem seria essa tal que o avaliou, né? Eu não brigaria com ele, mas me sentiria mal de saber que alguém por aí está de olho."

Tem mulheres que acham que o mais correto - e saudável - é simplesmente não olhar. Ignorar o perfil, as avaliações e hashtags atribuídas a ele. É assim que pensa Marina*, de 23 anos. "É bom e normal que as pessoas tenham um ‘passado’ antes de começarem o relacionamento com você", diz. "A gente até sabe quais são as meninas que o namorado já ficou ou namorou, mas isso é totalmente diferente de ficar ciente de detalhes mais sórdidos, mesmo que as avaliações sejam anônimas."

Para a jovem, o Lulu é um tormento para as neuróticas e um possível divertimento para as mais tranquilas. Ou, ainda, pode trazer à tona traumas e assuntos desagradáveis e prejudiciais para a boa convivência do casal. "Eu, pessoalmente, prefiro fechar os olhos às avaliações do meu namorado, aceitar que ele tenha um passado, e que, de fato, há pessoas querendo ficar com ele, mas que, por algum motivo, ele escolheu ficar - pelo menos na teoria - só comigo. O problema é segurar a curiosidade."

Caso a curiosidade tome conta de Marina e ela supostamente encontre o perfil do namorado no Lulu ela conta que, em relação às avaliações positivas, ficaria tentando ver algo que ele fez com outra pessoa e não fez com ela. Ou alguma característica que ele não apresenta ou nunca apresentou na relação dela com ele.


"Ficaria meio neurótica, tentando me convencer de que aquilo não tem importância, mas, ao mesmo tempo, querendo analisar os motivos, as pessoas envolvidas, mesmo que mentalmente", diz. Em relação às negativas, Marina revela que, provavelmente, ficaria bastante chateada se visse alguma menina espalhando inverdades sobre defeitos ou falhas que seu namorado não possui. Ou mesmo defeitos que ela conhece pessoalmente. "Não queria que ele ficasse ‘queimado’ no Lulu."

Quem garante que não dá bola para o aplicativo é Fernanda*, de 35 anos. Definindo o aplicativo como algo infantil demais, garante que as opiniões alheias não influenciariam em nada seu relacionamento. "Acho tosco quem avalia e, mais ainda, quem se preocupa com a avaliação. Todos nós temos um passado e sempre existe uma ex-recalcada, risos."

Nicole também não "bota fé" no aplicativo, acha algo bem ridículo, apesar de já ter pedido para uma amiga fazer uma pesquisa. "Não é culpa dele ser colocado no aplicativo". E teme pelas meninas que engataram um namoro recentemente. "Imagina alguém que acabou de começar a namorar e vê o namorado lá com 10 avaliações, falando sobre o que ele faz, como ele faz, o que deixa de fazer... péssimo!"

*Nomes fictícios

Por Juliana Falcão (MBPress)

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