Diga não à violência doméstica

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Há algum tempo, as feministas ganharam as ruas e a mídia com o lema “Quem ama, não mata”. Lutar contra a violência doméstica por parte dos parceiros ou ex-parceiros passou a ser preocupação de muitas instituições.

Em 1980, foi criado o S.O.S. Mulher, em Campinas (SP), primeira ONG de combate à violência feminina. Atualmente, a instituição é chamada de S.O.S. Ação Mulher e Família e oferece ajuda não apenas à vítima, mas a todos os envolvidos no caso.

Cinco anos depois, nasceu a primeira Delegacia de Defesa da Mulher, também em São Paulo. Em 1990, já eram mais de duzentas unidades espalhadas por todo o país, fora os grupos de apoio, ONGs e abrigos.

As mulheres ainda são as maiores vítimas de agressão doméstica no Brasil. “A violência não é apenas física e sexual. Existem outras formas, como o abuso emocional. Neste caso, elas sofrem ameaças verbais com apelo psicológico. É uma forma do homem controlar a situação, o comportamento e o microambiente”, esclarece a psicóloga Bárbara Yumi Favretto.

Os abusos emocionais normalmente são mais difíceis de serem denunciados, a não ser quando as ameaças são feitas com armas de fogo. Segundo a especialista, quando se fala em denúncia, se fala de exposição. “A vítima precisa se expor para outra pessoa que não conhece. Isso envolve sentimentos de vergonha, humilhação e medo. A dependência financeira e o envolvimento de filhos também colaboram para o silêncio. Por isso, na maioria das vezes a vítima acaba se calando”, explica Bárbara.

Em 1981, surgiu a ONG Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, em São Paulo, com o objetivo de defender os direitos, apoiar e atender as vítimas de violência. A ONG lançou em 2005 um livro relacionado ao projeto, intitulado "Vinte e cinco anos de respostas brasileiras em violência contra a mulher: Alcance e Limites”. A obra reúne histórias, estratégias e movimentos de combate à violência contra o sexo feminino nos últimos anos.

“Vários estudos a respeito do assunto apontam que a mulher agredida tem esperança de que o parceiro mude, medo de que seja preso, é cegamente apaixonada por ele e, muitas vezes, conviveu com a mesma situação de agressão na infância”, afirma Simone Grilo Diniz, ao explicar por que algumas mulheres permanecem caladas após as agressões. Simone é médica, coordenadora, pesquisadora do projeto e uma das autoras do livro.

O fato de o casal ter filhos torna o problema ainda mais preocupante. Geralmente, os herdeiros presenciam as agressões e, em alguns casos, também se tornam vítimas. Bárbara Favretto afirma que a maioria dos abusos tem relação direta com vícios, como o consumo de bebidas alcoólicas e drogas. As famílias que passam de alguma forma por este problema, possuem uma base desestruturada.

Por este motivo, as organizações em prol do bem-estar feminino apóiam e incentivam a denúncia dos agressores. Assim, o tratamento psicológico se aplica a todos os envolvidos na tentativa de que não fiquem seqüelas emocionais e que não haja repetição do ato.

Mais Informações:

S.O.S Ação Mulher e Família: (19) 3232-1544

Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde: (11) 3034-2321 (Disque SOS) / 3812-8681 (secretaria CFSS)

Fonte - MBPress

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