Dicionário das mulheres apaixonadas!

Dicionário das mulheres apaixonadas

Se nem a gente mesmo se entende quando o bichinho da paixão morde o coração, imagine o resto do planeta. Quem dera existisse um manualzinho, uma enciclopédia que explicasse as atitudes, das óbvias às improváveis, das mulheres apaixonadas.

Pelo menos um dicionário já existe. A jornalista Viviane Pereira, de Santos, reuniu termos e formulou um dicionário bem humorado, com definições daquilo tudo que a gente acha que conhece bem. "Dicionário das Loucuras de Amor - Definições bem humoradas para mulheres que vivem apaixonadamente" (Matrix, 2010), reúne as explicações dos fenômenos (quase sobrenaturais) que acontecem durante a paixão feminina - entregas, inseguranças e o desejo irrefreável de amar e ser sempre amada.

Segundo a autora, o livro é uma grande brincadeira, para ajudar os casais a rir das situações cotidianas, estereotipadas mesmo. "A ideia é buscar novas definições para termos já conhecidos. Definições bem humoradas, feitas sob a ótica da mulher moderna, que vive intensamente, que busca um amor, mas às vezes, gosta de ficar sozinha, a mulher humana que não sabe bem o que quer e cai em contradição, que se aproxima e se afasta dos homens, vive pressionada pelas exigências sociais, pensa em desistir de tudo, mas marca o início da dieta para segunda-feira. É um olhar lançado de dentro do universo feminino para a mulher, de uma forma que possamos rir de nós mesmas".

A maior parte dos termos é bastante comum ao universo feminino: ciúmes, relacionamento, amor, príncipe. Mas outros, como conta Viviane, saíram mesmo do fundo do dicionário. O Vila Dois conversou com essa apaixonada pelo universo das mulheres e descobriu que o livro pode ser também um ótimo guia para eles.

O livro é mais direcionado às mulheres, certo? Alguns termos valem para os homens também?

As mulheres com certeza terão uma identificação maior com o livro, porque os termos ali são bastante comuns ao universo delas. Mas o homem também vai se ver ali, em termos como "silêncio = mulher dormindo", que é o que muitos homens gostariam de dizer e não podem sob o risco de um olhar fulminante da companheira. E eu digo tudo isso ali, para que os casais possam rir juntos das nossas manias e das deles. Além disso, o livro é uma oportunidade também para o homem conhecer um pouco mais do universo feminino - e ainda se divertir com isso.

O que mais as pessoas podem encontrar nele?

Eu acredito que muitas atitudes nossas são feitas por hábito, porque sempre fizemos assim. Uma mulher ciumenta, por exemplo, que sofre por sentir muito ciúmes do companheiro, muitas vezes se sente angustiada porque no fundo ela não queria viver aquilo - queria relaxar, curtir a relação. Mas é mais forte do que ela. Então ela lê algo do tipo: ciúme = bichão injusto que toma conta de nosso corpo como os ETs dos filmes de ficção, nos forçando a fazer coisas que, em sã consciência, normalmente não faríamos - ou seja, a culpa não é nossa. E então ela pode rir daquilo. Imaginar a cena de um monstro te fazendo revirar o armário procurando evidências de traição pode ajudar a rir, relaxar e, quem sabe, chegar uma hora e decidir que não vai mais querer conviver com esse monstro. Eu acredito muito no humor como forma de atingir nosso interior, nos fazendo refletir, transformar, transmutar. Quando a gente ri de nossos absurdos, no fundo está, de certa forma, fazendo uma auto-análise.

Dicionário das mulheres apaixonadas

Foto: divulgação.

Acha que falta humor nas relações?

Com certeza. Falta humor nas relações, no trabalho, no mundo. E quando querem buscar humor, muitas pessoas procuram apontar para o outro - vão rir dos defeitos, das fraquezas do outro. Que tal rirmos das nossas próprias fraquezas e aprendermos com elas? Esse é o convite que eu faço com o Dicionário das Loucuras de Amor.


O que os estereótipos do livro podem ensinar?

Acho que eles podem levar mulheres e homens a se identificarem nas situações absurdas - pois ainda que exageradas, elas são reais - e permitir que eles reflitam sobre essas ações, avaliando quais fazem bem e quais querem excluir da vida. Mas acho que eles ensinam principalmente que todo exagero é ruim - seja para o bem ou para o mal -, que o ideal é sempre o equilíbrio e esse meio termo é muito individual - não há o normal, o certo ou o errado, mas o que é melhor para mim, nesse momento.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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