Descasada. E feliz!

Descasada E feliz

Muito mais complicado do que decidir pelo casamento é aceitar quando ele acabou. Não importa de onde tenha partido a iniciativa, as cicatrizes são inevitáveis. É como se o sofrimento puxasse uma cadeira e ficasse sentado ao seu lado sem dar trégua. Não importa quanto tempo durou a relação e nem quantos anos o casal tem. Quem já viveu sabe que quando precisa começar a escrever uma nova história depois de um término de relacionamento vira analfabeto sentimental.

Pensando em auxiliar as pessoas que acabaram uma relação a lidarem com a dor da perda e da separação é que a psicoterapeuta Jacy Bastos criou o Grupo de Orientação para Descasados - Godes - há 30 anos. “O grupo surgiu quando a incidência de separação estava ficando um pouco maior, estava chamando atenção e exigindo uma postura em relação a isso”. Ela percebeu que após a separação, todos vivenciam as mesmas fases - independente do tempo de convivência ou da condição socioeconômica.

Com técnicas e trabalhos dirigidos, o Godes ajuda as pessoas a identificarem as causas que levaram à separação sem assumirem a culpa. O trabalho é dividido em duas fases e cada uma dura 4 meses. A primeira é para pessoas recém-separadas e busca tratar das dores emocionais e trabalhar situações emergenciais. A fase seguinte é para contribuir que as mágoas antigas, que muitas vezes prejudicam novos relacionamentos, sejam superadas. “O trabalho é dirigido com o propósito de que as pessoas se voltem para si e enxerguem o que é seu e o que é do outro e possam, assim, identificar porque o relacionamento acabou e como isso aconteceu sem assumir culpas.” De acordo com a psicóloga, esta é a melhor forma de enxergar a relação e fazer novas escolhas.

Jacy explica que hoje, tanto o homem quanto a mulher sofrem com a separação. A intensidade desse sentimento é que pode variar de um indivíduo para o outro, mas a dor é inerente ao ser humano. “Anos atrás as mulheres não trabalhavam e não possuíam uma colocação no mercado de trabalho. Em vista disso, se sentiam inferiorizadas e fragilizadas diante da separação”. Mas isso mudou. As mulheres deram o grito de independência e conquistaram emancipação e mercado. Diante dessa nova realidade, elas conseguem lidar com mais facilidade quando o casamento chega ao fim.

E hoje os casamentos chegam ao fim com mais freqüência. Um pouco porque as separações ficaram mais socialmente aceitáveis e deixaram de ser motivo de culpa ou desconforto social. “Algumas mulheres se envergonhavam de terem se separado e pediam sigilo quanto ao estado civil”, lembra Jacy. Ela afirma que a aceitação passiva da sociedade quanto ao término das relações é um dos fatores que faz com que o número de separações tenha crescido. A falta de tolerância emocional uma das principais causas modernas dos divórcios e separações.

Ainda segundo ela, uma separação só perde para a morte de um ente querido na escala de estresse emocional. “Ninguém casa pensando em se separar, você acaba fazendo planos a dois. E depois perde os amigos, o referencial, os planos. Com a separação é preciso se resgatar, o que é muito doloroso,” finaliza Jacy. Mas é perfeitamente possível. Basta se ajudar. E acreditar!

Para mais informações: www.godes.com.br

Por Cínthya Dávila (MBPress)

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