Depois do divórcio, quando levar o namorado em casa?

Depois do divórcio quando levar o namorado em casa

Foto: Tetra Images/Corbis

O divórcio dos pais é sempre um momento que mexe demais com a cabeça dos filhos. Os mais velhos, mais maduros, conseguem compreender melhor a situação e sabem não somente como respeitar a decisão de seus genitores como superar o drama. Mas os pequenos sofrem mais e é normal que alimentem a esperança de ver os pais juntos novamente.

O sonho cai por terra depois que os pais começam a se abrir para novos relacionamentos e buscam um novo namorado. E essa transição precisa ser feita com cautela. Pelo menos é assim que pensa a diretora escolar Maria Isabel Guimarães, de 47 anos, e divorciada há 10. Depois de sete anos sozinha conheceu um homem e começou a namorar. E esperou completar seis meses de relacionamento para se sentir à vontade a ponto de apresentar o rapaz aos filhos de 15 e 20 anos.

"Antes de levá-lo em casa eu o conheci bem para ver se valia a pena colocá-lo em contato com os meninos. Namorei todo esse tempo fora da minha residência, mas deixei claro para os meus filhos que estava com alguém", conta Isabel. "Fiz um almoço de Ano Novo e o chamei em casa. O mais velho levou tudo numa boa, mas o mais novo ficou ressabiado."

O rapaz era 10 anos mais novo que Maria Isabel, solteiro e sem filhos. E tinha algo em comum com o filho mais velho dela: era amante da música. "Meu menino tem uma banda e meu namorado era professor de música clássica. Rapidamente os dois começaram a trocar ideias e sites do gênero. E o mais novo, depois que ligou o vídeo game e jogou com meu namorado, se sentiu mais à vontade", conta. "Mas não se soltou totalmente. Quando saíamos ele ficava sempre ao meu lado, marcando território", completa.

A diretora lembra que o namorado soube respeitar muito bem o espaço dos meninos e a relação foi se ajustando. O namoro durou dois anos e meio - o rapaz queria ter filhos, o que não estava mais nos planos de Isabel - mas já abriu portas para novas experiências que a profissional venha a ter. Quando ela colocou um ponto final na relação, o filho mais velho agiu normalmente, porém o mais novo, que no começo apresentou resistência, até sentiu falta.

Incluir uma nova pessoa na família não foi fácil, mas mesmo assim, não foi tão complicado quanto Isabel imaginava. Isso porque seu ex-marido se casou um ano depois da separação e o filho mais novo já convivia com a madrasta, chegando até a viajar com ela. "Isso fez com que a esperança de ver os pais juntos de novo se desfizesse mais rápido. Além disso, eles moram comigo. Então foi mais fácil para o pai", pensa a diretora.

Diálogo sempre!

Ao longo desses sete anos Isabel conversou muito com seus meninos. E sua cautela teve um motivo a mais: o filho mais novo ficou muito mal com a separação e chegou a ter depressão infantil, deixando a mãe com muito medo de se envolver com outra pessoa. Somente quatro anos depois da separação ele começou a amadurecer, a entender a situação. "Ele tinha muito ciúme, pois eu fiquei com ele e o irmão. Assim criamos uma rotina, um grupo fechado", explica Isabel.

Para evitar conflitos e manter os laços familiares, a diretora, quando está com alguém, dedica um dia do seu fim de semana para ficar só com os filhos. E defende que qualquer pessoa que ela namore não é da família, não é um padrasto, mas sim o namorado da mãe. Tanto é que fez um pacto com os filhos: namorar pode, mas casar... "É muito invasivo para os meninos colocar uma pessoa em casa, morar junto. Desestrutura tudo."


Mas hoje ela pensa diferente. Os filhos estão mais velhos, com 18 e 24 anos, e até já incentivam a mãe a conhecer alguém. A diretora se esquiva, pensa que a hora de casar de novo ainda não chegou. Mas já estabelece que a pessoa que entrar em casa com o intuito de ficar precisa respeitar seus meninos e ter maturidade para entrar na família.

"A gente já tem uma rotina e essa pessoa vai ter que se ajustar. Não pode querer mudar as coisas, será uma invasão de privacidade". Ao mesmo tempo, quando lembra que o filho mais novo, que oferecia tanta resistência, já vai entrar na faculdade e seguir seu caminho, baixa a guarda: "Agora pode ser um momento bacana para conhecer alguém. Se rolar vai dar para sentar e conversar de maneira tranquila."

Por Juliana Falcão (MBPress)

Comente