Dedo-podre?

Dedopodre

Você já teve aquela impressão chata de que sempre escolhe o cara errado? As amigas usam você como exemplo a não ser seguido e sua mãe sofre cada vez que um namorado novo - aquele, bem esquisito - é apresentado à família? Pois saiba que, assim como você, há uma legião de mulheres que acabam sempre com um estranho no ninho. São as famosas “dedo-podre”.

A explicação para essa escolha torta não é tão simples quanto parece. A psicóloga Beatriz Helena Paranhos Cardella, autora de livros como “O amor na relação terapêutica” (Summus, 1994) e “Laços e nós” (Ágora, 2009), diz que quando as mulheres têm uma tendência a se envolverem com homens indisponíveis ao relacionamento amoroso, é preciso investigar o que acontece no seu intrincado mundo afetivo - e não fazer generalizações.

“Pode haver bloqueios, entraves, medos, sofrimentos, falta de referências, carências, desvalorização, enfim, todo um universo de experiências que compõem sua biografia precisa ser compreendido para que possa atravessar padrões de sofrimento e impossibilidades amorosas que se repetem em sua história”, afirma.

Segundo Beatriz, as referências masculinas (passadas ou presentes) ou até a ausência de referências também podem ter participação nessa dificuldade em encontrar a metade certa. “Padrões parentais, ancestrais e culturais nos influenciam. O processo de autoconhecimento e o crescimento pessoal são fundamentais para se libertar de padrões aprisionadores”, sugere. Apenas assim é possível escrever a própria história amorosa, de forma criativa e inédita, e criar novas possibilidades para uma realização pessoal e amorosa.

Mas é importante tentar evitar comparações. “Duas mulheres com atitudes semelhantes podem ter motivações completamente diferentes”, explica Beatriz. Segundo ela, no meio dessa escolha que pode parecer estranha, pode haver controle envolvido, desvalorização pessoal, sentimento de superioridade, dificuldade para se vincular, tendência a relações de dependência e submissão, falta de confiança e entrega e sentimentos de isolamento ou de solidão.

Para entender o que acontece - e mudar esses padrões - é preciso mudar as atitudes que perpetuam o sofrimento e trabalhar na direção do crescimento e do amadurecimento pessoal. “A realização amorosa é consequência desse processo”. Essa ‘dedo podre’ não se trata de mau gosto ou busca pelo sofrimento certeiro. Afinal, ninguém sofre deliberadamente. “Todo ser humano carrega o anseio de amar e ser amado”, diz a psicóloga.


Beatriz frisa que não gosta do termo “dedo podre”, apesar de ele ser usado para designar mulheres que tem um gosto, digamos, duvidoso. “Ele é pejorativo e reflete uma desqualificação profunda de qualquer se humano”, acredita. Então, vale lembrar aqui que não é intenção reduzir ou invalidar as atitudes dessas mulheres e, muito menos ignorar os sentidos e sentimentos. Afinal, que atire a primeira pedra quem nunca admitiu se encantar com os homens lado B.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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