Dando um gás no relacionamento...

Para responder por que os casamentos mudam com o tempo, acho que temos de saber primeiro por que nós nos casamos, o que queremos com nossos casamentos, o que esperamos dele, do nosso querido parceiro, quais os projetos de vida e os papéis que cada um teria de desempenhar para atingir cada um desses objetivos.

Na maioria das vezes acho que nos casamos por amor, por que queremos ficar juntos da pessoa amada, ter um espaço privado com o homem que elegemos como objeto de nosso afeto e devoção, que queremos para pais de nossos filhos, e vai por aí. Só que não pensamos na verdade num projeto de vida real. Pensamos no sonho bonito, no amor, no sexo gostoso, nas promessas, na superação das dificuldades iniciais, e achamos que tudo será muito simples, como andar de bicicleta. Olhamos para pessoas que tem longos casamentos, como avós, e achamos que foi algo simples, pois não costumam reclamar muito, e dependendo da idade e do temperamento desses mais velhos, não há muita chance de falar mesmo sobre as coisas da vida de maneira bem aberta, sem meias palavras.

Quando eu me casei a primeira vez era uma coisa assim, de querer ter um companheiro, casa, filho, cachorro, uma vida. O casamento mudou, apesar de eu só ter mudado por razões diferentes das mais comuns, por dificuldades de temperamento, por dificuldades de grana, e de ter adoecido. Mas depois do casamento ter acabado quase 7 anos depois e eu ainda morei um tempo com outra pessoa, concluo que o que me fez diferença mesmo foi saber o que eu queria de verdade da minha vida, eu, como ser humano, e o que eu esperava do outro, de maneira realista.

Que projetos eu tinha? Projetos pessoais, e projetos para o casal? O que ele queria para si mesmo? Acho que nunca conversamos sobre isso. Parecia algo claro, já que nos amávamos, só que o tempo mostra que nada é tão claro assim, e que faz falta ter essa noção.

Para onde imos? Vira monotonia, ou nos acomodamos e esperamos que o romance sobreviva ao comodismo. E aí não existe malabarismo sexual que resista. Creio ter sido esse o meu grande erro: não ter me posicionado claramente como pessoa, ter apostado no outro, assumido papéis que meu temperamento não suporta por muito tempo. Eu mesma acabo esfriando, e ele também. A responsabilidade foi dos dois.

De outro lado havia muito sexo, e muitas brigas por outras razões, por não haverem acordos possíveis.

Então... uma solução pode ser estar em paz consigo mesma, feliz com aquilo que somos, e buscar acima de tudo clareza de projetos de vida, espaço para dois indivíduos diferentes viverem suas peculiaridades, e admirarem um ao outro, gostarem de estar juntos, criarem tempo e espaço para essa admiração mútua. Poderem ser companheiros na tarefa de construírem patrimônio e segurança para o casal e a família, mas resguardando o casal. Haver grupos de amigos dos dois. Ele saber que ela se diverte sem ele e ele sem ela, mas que é legal estar com ela e vice-versa, pois ela é linda, interessante, sexy, etc. Mas isso é um projeto a dois.

talvez tenham de conversar sobre seus sonhos, seus objetivos, o que cada um quer da vida, criar projetos individuais, e os do casal, coisas que criem interesse, comprometimento, e traga assuntos em comum, e de carona peculiaridades do dia a dia dos dois, novidades, etc. E de repente ele poderá estar mais ajeitado, ela mais arrumada, com uma cor de cabelo diferente, uma lingerir nova.

Eis um casamento com um novo entusiasmo! Quem sabe? Não custa tentar

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