Crônicas digitais - "Amar é punk"

Crônicas digitais  “Amar é punk”

Foto/Reprodução

"Descobri que gosto mesmo é do tal amor. Da paixão não. Depois de anos escrevendo sobre ter alguém que me tire o chão, que me roube o ar, venho humildemente me retificar. Eu quero alguém que divida o chão comigo. Quero alguém que me traga fôlego, entenderam?"

Este é um trecho da crônica "Amar é Punk", de Fernanda Mello (@fernandacmello). Além de publicar os textos no blog desde 2003, a belo-horizontina de 37 anos inventou uma forma de envolver ainda mais as pessoas que apreciam uma boa poesia: ela faz um vídeo recitando de maneira descompromissada e com sotaque super fofo cada palavrinha de seus textos.

"Meu gosto pela poesia surgiu no primário, quando ganhei um livro de Vinicius de Moraes do meu avô, o ‘Antologia poética’. Fiquei encantada com as palavras e, depois disso, comecei a ler sem parar e a escrever também", revela. "Acho que quando eu começo a questionar muito determinado assunto tenho vontade de escrever para encontrar respostas. Daí surgem as crônicas."

A ideia de digitalizar os textos começou por acaso. O namorado de Fernanda, Marinho Antunes, é diretor de publicidade e cinema e, sempre que lia os textos enxergava neles um roteiro. "Quando eu escrevi o texto ‘Amar é punk’, em abril, mostrei para ele e resolvemos: vamos filmar comigo mesmo falando e ver no que dá. Se não ficasse bom, a gente não publicaria", lembra.

Primeiramente, a ideia era encontrar uma atriz para interpretar as crônicas, mas não havia verba para pagamento de cachê. Então não teve jeito. Fernanda enfrentou a timidez e entrou de cabeça no projeto. "O problema é que eu morro de aflição de câmera. Para mim, foi e está sendo um aprendizado enorme, é muito estranho me ver no vídeo, ainda mais porque estou acostumada a trabalhar em casa, o dia inteiro sozinha, escrevendo", comenta.

O primeiro vídeo do ‘Crônicas’ foi postado e fez o maior sucesso. "Fizemos até uma versão curta para o Dia dos Namorados, que passou em 200 salas de cinemas do Brasil, antes dos filmes", comemora. "Como a repercussão foi boa, resolvemos continuar o projeto, já que percebemos que muita gente gosta desse formato ‘falado’, além de ter curiosidade de ver e ouvir quem está por trás dos textos", diz a escritora.

Os textos de Fernanda para o ‘Crônicas Digitais’ são inéditos e escritos especificamente para este fim. "Acho que o texto falado tem que ser mais informal, até mesmo para não ficar estranho na hora de dizê-lo em frente às câmeras", explica. Por enquanto, os vídeos não têm periodicidade, pois tudo depende da disponibilidade das salas cedidas pela Estúdio Pro, produtora de Belo Horizonte.

A inspiração de Fernanda vem da curiosidade e das relações que constrói e fideliza ao longo da vida. "Escrevi ‘Amar é punk’ em abril, inspirada na minha história com meu namorado e em conversas com amigas que vivem o amor e muitas vezes sentem saudade da ‘paixão’", diz. "Percebi que já me apaixonei muitas vezes, mas que não gosto dessa loucura de estar apaixonada. Gosto da coisa calma do amor, que é calmo só na teoria. Amar é realmente punk (risos)".

Em outros casos, Fernanda "pega emprestado um ‘sentir’ do outro": de uma amiga, de uma vizinha... "Mas mesmo quando me inspiro na história de outra pessoa, percebo que sempre tem um pouco de mim. Ao tentar sentir o que o outro sente, a gente acaba se embolando e, às vezes, deixa de perceber onde começa um e termina o outro", filosofa.

A pedido dos leitores do blog, as crônicas da publicitária renderam um livro, intitulado "Princesa de rua", vendido pela internet. Sem editora, a belo-horizontina recorreu à Lei Rouanet. "Consegui patrocínio da Siemens e, assim, pude concretizar o sonho de publicar o livro. E as vendas estão ótimas!", comemora.


Ah! Você pode nunca ter lido ou assistido às poesias de Fernanda, mas já cantou algumas músicas escritas por ela. "Eu também sou compositora, escrevi várias letras para bandas como Jota Quest ("Só hoje", "O que eu também não entendo", "Mais uma vez", etc), versões para Wanessa, Bruna Caram... São mais ou menos 25 músicas", revela.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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