Conselhos da filha de Nelson Rodrigues!

Conselhos da filha de Nelson Rodrigues

Ser filha de Nelson Rodrigues colocou no DNA de Sonia uma pitada especial. Do pai, um dos maiores dramaturgos da literatura brasileira, ela herdou a mania de encarar a escrita como ofício e a inspiração para consultora sentimental.

Nelson usou o pseudônimo Myrna para responder cartas de leitores na década de 1950. Sônia criou Amarylis - a Myrna do século 21 - no suplemento feminino do jornal “O Estado de São Paulo”. Depois, Amarylis pulou das páginas para um site, mas continuou respondendo, sem preconceitos, às questões afetivas e sexuais de pessoas de todas as idades e preferências.

Das perguntas, nasceu há 5 anos o livro “Como Fazer Sexo ou Amor sem se Machucar Muito” da Geração Editorial. O livro que parece um guia responde perguntas de todo tipo. Como chifrar sem ser descoberto? Como esquentar uma relação que caiu na rotina? É normal curtir homem e mulher ao mesmo tempo? O que fazer se um parceiro tem mania de humilhar o outro? Como mudar a cabeça de alguém que não acredita mais no amor?

“Mulheres e homens sabem que é bom amar, mas sofrem por amor e têm dúvidas. As mais diversas, as mais parecidas, as que se repetem em situações inesperadas”, explica. Em entrevista ao Vila Dois ela conta como surgiu a consultora, que acredita que temos de amar sim - mas não ficar à disposição. Ela tenta apenas ajudar o leitor a sofrer menos com os percalços (inevitáveis) do caminho do Cupido. Porque amar é muito bom, mas dá trabalho.

De onde nasceu Amarylis?

Da minha simpatia por mulheres que sabem ouvir casos de amor, de mulheres ou de homens, sem tentar colocar os sentimentos numa forma. Gosto de gente que não fica achando fácil resolver a vida amorosa. Porque amar nunca é fácil. Então, como gosto de escutar as histórias e acho que no amor a gente faz o que pode, não o que quer, criei Amarilys.

Quais as perguntas mais freqüentes você encontrava?

Homens e mulheres, de qualquer idade, sempre queriam saber como consertar situações amorosas. Com namorados, amores, mas, às vezes, com pai, mãe, filhos.

E quais as mais quentes ou chocantes?

As mais chocantes, para mim, eram as das pessoas que estavam presas a gente incapaz de dar valor ao amor delas. Eu ficava chocada, não com as pessoas que amavam, mas com os outros. As mais quentes eram as de pessoas bem tratadas, mesmo que em situação esquisita do ponto de vista da moral e dos bons costumes.

Quem tem mais dúvidas: mulheres ou homens?

Acho que mulheres escrevem mais, perguntas mais, mas os homens perguntam bastante quando o anonimato é garantido.

Ser filha de Nelson Rodrigues ajuda - ou atrapalha?

Acho que o público já se acostumou comigo, com minha abordagem da vida e da literatura, independente do meu pai. Não atrapalha de jeito nenhum.

Como está sua carreira agora? Quais os últimos projetos?

Publiquei um livro chamado “Amor em segredo”, pela Agir, outro com o título “Eu sou Maria”, estou escrevendo um livro onde uma Amarilys, com outro nome, e em épocas diferentes, interage com situações femininas bem instigantes. Sinto saudades do contato com leitores e internautas. Gostaria muito de voltar a escrever coluna em jornal ou Internet.

E a pergunta final: como fazer sexo ou amor sem se machucar muito?

Tentando manter o bom humor. Nem sempre dá, mas não custa tentar.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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