Como serão os relacionamentos no futuro?

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Em entrevista para o portal UOL, a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins afirma que, no futuro, ter um relacionamento poligâmico (com mais de uma pessoa) será comum. Para a especialista, da metade do século 21 para frente, não haverá modelos de uniões afetivas.

Ou seja, no futuro, quem quiser ficar com mais de uma pessoa em um mesmo relacionamento será tratado com a mesma naturalidade que é dada aos casais monogâmicos (relação entre duas pessoas, sem um terceiro ou quarto indivíduo) de mais de 20 anos.

Antes de pensar que o relacionamento poligâmico (quando uma pessoa se relaciona abertamente com mais de uma pessoa) é uma exceção nos tempos de hoje, saiba que em 2007 o Datafolha revelou que 40% dos brasileiros afirmam que os relacionamentos abertos (quando existe a união entre o casal, mas um dos dois mantém um relacionamento paralelo, ou se relaciona com outras pessoas que não façam parte da união) podem dar certo.

Segundo a psicóloga Gisela Nonnenbergos relacionamentos abertos são encarados como um tabu. "Existe o relacionamento aberto, em que o casal tem relações com outras pessoas e o parceiro está ciente; e o poliamor, que é um relacionamento entre três ou mais pessoas. Tais configurações são recentes em nossa sociedade e, por isso, as pessoas estão menos acostumadas a lidar com esses conceitos", explica.

Mas até a legislação brasileira vê com maus olhos a união estável entre três ou mais pessoas. De acordo com o artigo 235, do Código Penal do País, a bigamia é considerada crime. Quem estiver casado no papel com duas pessoas pode pegar uma pena de dois a seis anos em prisão.

De acordo com a psicóloga, os brasileiros vivem em um modelo de amor romântico - quando há uma união permanente entre duas pessoas -que se mostra antiquado e que ainda não foi substituído por outro mais flexível ao século 21. "O amor romântico ainda está muito presente em nossa cultura: na literatura, no cinema, nas canções de amor e qualquer outro que se mostre diferente deste pode causar estranheza", argumenta.

E a traição?

Imagine-se na metade do século 21, onde as pessoas possam ser mais flexíveis aos tipos de união e o relacionamento aberto seja tão comum quanto o monogâmico. Agora, pense: como é possível considerar uma traição dentro deste cenário? Gisela diz que traição deixa de ser configurada por um modelo único - onde o parceiro (a) se envolve em um relacionamento extraconjugal -, dando lugar à individualidade.

"Alguns se consideram traídos por parceiros que sente atração por outra pessoa, outros só consideram que exista caso haja relação sexual. Cada um deve se questionar o que é traição para si e até que ponto pode lidar com isso", explica a psicóloga. Gisela afirma que o fundamental é ser fiel a si mesmo em primeiro lugar, e respeitar os próprios sentimentos. "Não existem regras para a traição", reforça.

E as mentiras, continuam a brotar mesmo em um relacionamento aberto? A psicóloga responde: "Novamente, isso depende muito de cada pessoa e do seu momento de vida. Alguém que queira esconder que trai pode tentar ocultar com mais afinco, enquanto outro que queira, ainda que inconscientemente, ser pego, pode deixar sinais mais óbvios".


Por Caroline Sarmento

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