Como enfrentar uma OBRA sem arruinar seu CASAMENTO

Quem já construiu ou reformou sabe bem do que estou falando. Por experiência própria e de outros, as histórias mostram que desavenças entre casais durante esses momentos são mais comuns do que imaginamos.

Conversar, barganhar e ceder é fundamental para que a união não termine em escombros.

Começa assim: - O pedreiro tinha um amigo vidraceiro, que conhecia um excelente pintor, que por sua vez era irmão de um serralheiro, e por ai vai.

Infelizmente essa é a forma escolhida pela grande maioria das pessoas, quando começam a montar seu exercito de profissionais para reformar sua casa.

O mesmo também acontece quando se trata de uma construção, que implica ainda mais em maiores gastos e cuidados que nem sempre levamos em consideração.

Se não houver um bem planejamento, responsabilidade e bastante entendimento, a obra vira uma guerra que, no final, acaba arruinando a sua saúde e pode até demolir seu casamento.

Um dia enquanto construía a minha casa na serra, a arquiteta, insistia em instalar a bancada da cozinha na altura que ela julgava adequada.

- Mas dona fulana, não quero nessa altura tão alta.

- Mas é a senhora por acaso quem vai cozinhar?

Num outro momento, depois de negociar horas com a sua equipe, eu ouvia as criticas do meu marido. Ele questionava minha capacidade de gerenciar a obra e o clima da construção era um cenário de novela mexicana.

Os orçamentos extrapolaram a previsão inicial, os prazos não eram cumpridos e eu e meu marido discutíamos por tudo. Até que chegou o dia que ele tomou partido da arquiteta na frente dos peões e eu disse que só voltava ali no dia em que a obra terminasse! O caos se instalou.

Ao reformar uma casa, o estresse de querer ver tudo pronto, de saber se todos vão gostar do resultado faz com que haja ansiedade e raiva. Quem paga por isso são as pessoas que estão próximas, como os filhos e o companheiro (a).

“Para quem está querendo se divorciar, arrumar uma obra já é um ótimo começo”.

Já acompanhei diversas reformas e cheguei à conclusão de que essas crises acontecem porque geralmente o homem está mais preso aos custos e a mulher tem o foco de atenção voltado aos resultados estéticos. Difícil conter a irritação de um marido que se sente gastando uma fábula, enquanto a mulher só parece preocupada com a cor da parede.

Em grande parte das reuniões com os casais, noto que o homem inicialmente deixa claro que será a mulher quem ditará as regras da obra – para, num segundo momento, tomar ele as rédeas. A estratégia masculina é começar com cavalheirismo, continuar com palpite aqui e acolá e acabar conduzindo a obra.

Por isso, quando contratar um arquiteto preste bem atenção se o profissional é experiente e veste a camisa de psicólogo também (risos).

Recentemente, conversando com uma amiga que é psicanalista sobre porque acontece esse tipo de conflito, ela me disse que a nossa primeira casa é o útero materno. De acordo com ela, o espaço arquitetônico reflete o inconsciente, o mundo interno de cada um. Diz ainda que algumas brigas durante as construções e reformas são reveladoras de um estado emocional pouco adulto. “As dificuldades em fazer uma obra a dois muitas vezes está ligada à dificuldade de renunciar a uma posição narcisista e infantil”, teoriza.

Eu já acho que às vezes as pessoas buscam arrumar a casa, mas querem mesmo é mexer nelas mesmas.

Já vi casais brigarem em uma loja comprando interruptores na frente dos vendedores. A mulher ficou tão nervosa que largou o marido e o vendedor falando sozinhos.

O segredo me parece ser saber ceder sem se anular ou anular o outro.

Ai vão as minhas dicas:

- Antes de começar, converse e veja o quanto cada pessoa da família está disponível, quando tempo e esforço podem ceder para a obra. Nessa hora também é bom decidir se todos estão dispostos a continuar na casa durante a reforma ou se seria melhor alugar um espaço provisório.

- Cada pessoa deve decidir como quer seu espaço, o quarto, o escritório por exemplo.

- Procure arquitetos que estejam empenhados em ajudar a família a lidar com o stress emocional da reforma ou construção.

- Estabeleça os deveres de cada um e divida as tarefas. O importante é que todos se envolvam com a construção (nos melhores e nos piores momentos dela).

-Faça reuniões para compartilhar as tensões da reforma e negociar as mudanças imaginadas.

- Engenheiros e Arquitetos – Previnam-se

Antes de contratar esses profissionais, consulte o CREA para averiguar os serviços já prestados pelo profissional e se não há reclamações registradas ali. Essa pesquisa é simples, rápida e evita uma série de dores de cabeça pelo caminho.

Façam um contrato por escrito com os profissionais e deixe claro no documento todas as responsabilidades do engenheiro ou do arquiteto e também quem são os outros empregados. Sem esse documento fica praticamente impossível provar erros do responsável. Reclamar pode, mas processar sem documento...

Elaborem um cronograma com datas e gastos previstos para cada fase (fundação, estrutura, hidráulica e elétrica).

Memorial descritivo, relacionando todos os trabalhos que serão feitos e os materiais a serem usados, desde a fundação até o telhado.

Mantenha um diário da obra que documente todo o andamento dos serviços.

Fotos – Fotografe tudo desde o inicio, as fotos comprovam quanto da obra foi realizado.

Importante: Se o casamento já está em crise, não comece uma obra. Conserte o relacionamento e depois a casa.

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