Comédias Românticas

Você adora aquele filminho água-com-açúcar, que faz você sair da sala do cinema inchada de tando chorar? As famosas comédias românticas, como Quatro Casamento e um Funeral, ou O Diário de Bridget Jones, com começo, meio e final feliz, são as preferidas de muitas mulheres, mas podem ser vilãs na vida real.

Um estudo feito na Escócia diz que assistir a esse tipo de filme pode prejudicar a vida amorosa e afetiva da pessoas. Isso porque, segundo a pesquisa, você se imagina naquele final feliz cor-de-rosa e, quando olha para a própria vida, acaba se cobrando mais do que deveria.

“As situações perfeitas, bem distante da realidade, acabam criando expectativas muitas vezes não correspondidas”, diz a psicocóloga Beatriz Borloto, de Curitiba, no Paraná.

A pesquisa escocesa, divulgada em dezembro de 2008 e realizada pelo Laboratório de Relações Pessoais e de Família da Universidade Heriot-Watt, de Edimburgo, estudou diversas comédias românticas e concluiu que elas trazem como tema comum a idéia de que a pessoa ideal existe - e é aquela que deveria conhecer sua metade instintivamente e até saber o que ela pensa: a famosa “alma gêmea”.

As evidências do estudo, que ainda entrevistou telespectadores submetidos a sessões de cinema, provam que a mídia tem papel importante em perpetuar essa idéia de metade perfeita na mente das pessoas. O problema é que, conforme lembra Beatriz, algumas são realmente mais influenciadas que as outras e acabam sofrendo as consequências da busca eterna por um relacionamento perfeito (que não existe).

Nos filmes, os casais mal se conhecem e logo juram amor eterno, se casam, compram cachorro, viajam. Na vida real, a coisa não funciona assim. “Cumplicidade e confiança, por exemplo, são qualidades que demoram anos para serem construídas”, lembra Beatriz.

Mas as comédias românticas tem sim seu lado bom. “Servem para que as mulheres abram os olhos para coisas que acham necessárias numa relação ou comportamentos que abominam”, diz Beatriz. Segundo ela, os filmes podem ajudar como uma terapia curta. “Quando a pessoa sai do cinema, é como se tivesse passado por uma sessão de auto-avaliação. As mulheres, principalmente, se comparam muito com as personagens”, lembra.

Usar os filmes para estabelecer limites do que se quer não faz mal para ninguém. Basta lembrar que final feliz é possível sim. Mas não em duas horas.

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Por Sabrina Passos (MBPress)

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