Com base na Lei Maria da Penha, Tubby é proibido pela justiça

Tubby

Foto: Divulgação

O desejo dos homens de se vingar das mulheres que os avaliaram no Lulu talvez não será mais atendido. Na tarde de quarta-feira (03), a 15ª Vara Criminal de Belo Horizonte (MG) emitiu uma liminar que proíbe o aplicativo Tubby em todo o Brasil.

Para quem ainda não sabe, o Tubby é uma ferramenta utilizada apenas pelos homens para avaliar o desempenho sexual e o comportamento das mulheres, uma forma de dar o troco no público feminino que está se divertindo com o Lulu, aplicativo que tem o mesmo objetivo, mas que avalia apenas o público masculino.

Proferida pelo juiz Rinaldo Kennedy Silva, titular da Vara Especializada de Crimes Contra a Mulher da capital mineira, a decisão atendeu ao pedido de vários coletivos feministas, entre eles de, Margarida Alves, Frente de Mulheres das Brigadas Populares de Minas Gerais, Movimento Graal no Brasil, Marcha Mundial das Mulheres, Movimento Mulheres em Luta, Marcha das Vadias e Coletivo Mineiro Popular Anarquista (Compa).

Layza Queiroz, membro do coletivo Margarida Alves, explica que o grupo foi procurado pela Frente de Mulheres das Brigadas Populares de Minas Gerais para discutir a possibilidade de entrar com ação. A partir daí, uma reunião foi marcada com os outros movimentos feministas. O tema foi debatido na segunda-feira (02), pela manhã, e uma ação foi movida com base na Lei Maria da Penha para tentar barrar o aplicativo.

"A Lei Maria da Penha abrange todo tipo de violência contra a mulher. E as mulheres têm sido muito expostas negativamente nas redes sociais. Vimos recentemente o que houve com as meninas que tiveram seus vídeos e fotos íntimos expostos. Houve até suicídio!", lembra Layza. "Isso vem provar que as redes sociais e aplicativos como o Tubby têm sido usados para potencializar esse comportamento."

O pedido de proibição foi entregue na terça-feira (03). E na quarta-feira (04), o juiz já tinha uma decisão. De acordo com matéria publicada no G1, o juiz aceitou ação por acreditar que havia "plausibilidade jurídica na tese" apresentada pelos grupos feministas, "uma vez que a requerente pretende a defesa dos interesses difusos das mulheres".

O juiz completou: "Há também fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação, uma vez que depois de ofendida a honra de uma mulher por intermédio do mencionado aplicativo, não haverá como repará-la."


Para Layza, o aplicativo tem sido divulgado como algo comum e não é. Ele é ofensivo e violento. "Tanto o Lulu quanto o Tubby tem um objetivo ruim, que é avaliar as pessoas por meio de notas. Porém, o Lulu usa avaliações simplistas, o que não é o caso do Tubby."

E completa: "O Lulu causa constrangimento aos homens? Sim! Mas o Tubby pode trazer consequências muito maiores para as mulheres. Não estamos em pé de igualdade com os homens, não há simetria entre os gêneros. Por meio desse aplicativo ficaríamos mais expostas. E as mulheres vivenciam a violência contra elas cotidianamente."

De acordo com o juiz, o Facebook, a equipe do Tubby e as lojas de aplicativos Google Play e App Store estão proibidos de veicular o aplicativo. O não cumprimento acarretará em multa diária de R$ 10 mil. O aplicativo Tubby está previsto para ser lançado amanhã.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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