Casar mais tarde

Casar mais tarde

"Quer casar comigo"? Por muitos anos, essa foi a pergunta que muitas mulheres sonhavam escutar assim que arrumavam um namorado. Até bem pouco tempo - cerca de 10 anos - o número de mulheres que trocava aliança entre 25 e 29 anos era de 19%, segundo o IBGE, significando que a maioria se casava mais nova. Agora, esse número passou para quase 30%. Entre as mais novinhas, de 15 a 24, o número também caiu - o que prova que as mulheres estão mesmo se casando mais velhas. O negócio é deixar o jogo correr nos dois tempos regulamentares e ainda partir para a prorrogação da solteirice.

Se o sonho de casar e ter filhos já não faz mais parte do pacote especial das mulheres, o que faz? Carreira! A mulher prefere casar mais tarde porque prioriza a própria estabilidade financeira. Se "encostar" num marido rico passa longe dos planos, apesar de 81% das mulheres, segundo pesquisa Veja/IBOPE, acreditarem na importância de o marido ter seu próprio negócio. Segundo elas, falta de dinheiro pode sim atrapalhar a harmonia do casal.

A assistente administrativa Valdirene Veiga, de 21 anos, por exemplo, sempre achou levantar a bandeira contra o casamento era coisa de adolescente moderninha. Hoje percebe que a razão é outra. "Quero minha estabilidade e uma carreira. Quero ser independente e, aí sim, pensar em casar". Ela acredita que as mulheres ainda sonham com o altar, mas que há dificuldade em encontrar o parceiro ideal. "Hoje as relações estão mais superficiais. Um dia mora junto, no outro separa", analisa.

Dayani Menini, 27 anos, também é do time das que querem casar sim, obrigada, mas não agora. Esteticista, ela busca estabilidade - e com ela, o direito de ir e vir. "Só assim posso ter mais liberdade. Casamento e filhos prendem", pondera. Não que ela não pense em formar família, ter pimpolhos. "Quero, mas apenas depois de realizada profissionalmente", assume.

Quanto ao casamento, Dayani imagina que as mulheres ainda sonham com o grande dia. Mas que, hoje, tem mais consciência da volatilidade das relações. "Os filhos ficam, mas marido você pode trocar quantas vezes achar necessário", diz. "A maioria das mulheres, em sua maioria são românticas, não tem como fugir. Mas casamento não é um conto de fadas. Como os tempos mudaram, ele deixou de ser uma necessidade".

Quem apostou no casamento e está feliz da vida não reclama da escolha. A química Alessandra Caputo Costa, 32 anos, está há cinco em união estável, tem um filho da mesma idade e já espera outra menininha. Para ela, a prioridade se inverteu um pouco. Agora, coloca a estabilidade depois dos filhos, mas antes do casamento. "A estabilidade dá a sensação de poder ajudar os filhos sempre", explica.

Para ela, mesmo casadinha, a instituição matrimonial anda meio falida, careta. "Mas acredito no casamento. Toda mulher que tem uma união feliz se sente muito mais realizada do que as que não têm esta sorte", acredita. "Nunca conheci uma mulher que dissesse não querer constituir uma família e não tivesse ficado mais amarga por isso! Sempre tem aquele dia chuvoso em que ela gostaria de estar com um bando de filhos na cama, comendo pipoca, ao invés de estar com a casa todinha arrumada e um livro de auto-ajuda para ler".

Com as estatísticas de casamento se rebatem as de divórcio entre os jovens. Em 2008, pela primeira vez, o número de uniões desfeitas decolou - muito por conta da facilidade do recurso legal; mas um pouco também pela liberdade conquistada pelas famílias, que podem se desfazer sem o olho amargo da sociedade. Enquanto em 1967, menos de 6 mil desquites foram lavrados, hoje 1,75% da população de 15 anos ou mais já tirou as alianças.

É o caso da técnica de enfermagem Beatriz da Silva Wisnieski, de 31 anos. Hoje, mesmo separada, não desdenha a história que viveu. Segundo ela, teve um ótimo marido, mas a relação não deu certo porque não estava pronta para constituir família, levar a sério um casamento, queria mais! "Todo mundo sonha com o grande dia, acha que vai durar a vida toda. E, não fossem pelas diferenças que encontramos no caminho, que destroem os sonhos em comum, talvez até durasse mesmo".

Assim como ela, a assessora de imprensa Lilian Cardoso, 26 anos, também se casou jovem, depois de um namoro de 5 anos, e ficou apenas seis meses na relação. O encanto acabou quando as ambições formaram um abismo entre os dois. Ela queria mais, tinha os olhos voltados à carreira e casamento não vingou. Agora, depois de dois anos separada, Lilian está noiva novamente. "Acredito que, para ser feliz, conta muito que os desejos dos casais sejam comuns, para que não haja conflitos ou uma falsa felicidade", avalia.

Ela admite que a prioridade ainda seja a estabilidade financeira, antes até do casamento. Mas acha perfeitamente possível conciliar as duas coisas. "Decidimos morar juntos, perto do trabalho, e montei minha agência numa sala no mesmo prédio que ele trabalha. Nestes cinco meses, posso dizer que encontramos harmonia entre estudo, trabalho e namoro", garante.


Ela, que já casou uma vez e logo deve voltar ao "altar", prova que insistir na felicidade nada mais é do que viver plenamente. O primeiro casamento foi consequência de um namoro longo - e teve as pompas que toda menina sonha. Agora, namorando menos tempo, Lilian quer repetir a dose. Para derrubar qualquer estatística!

Por Sabrina Passos (MBPress)

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