Casar com o primeiro namorado dá pé?

Casar com o primeiro namorado da pé

Embora se casar com o primeiro amor seja um fato cada vez mais raro, ainda pode acontecer. Será que a pouca experiência amorosa pode influenciar de forma negativa a relação deste casal? Estudiosos do comportamento humano ainda não chegaram a uma resposta unânime, mas há opiniões formadas.

Não é difícil encontrar casais que namoram desde a adolescência e continuam felizes juntos, mesmo depois dos 30 anos de idade. "Maurício foi o meu primeiro namorado. Começamos a sair quando eu tinha 16 e ele 17 anos. Nós nos casamos quatro anos depois, em setembro de 2007. Não acredito que o fato de não ter tido outras experiências ou ter conhecido outros homens possa vir a prejudicar a nossa relação. O que fazemos um pelo outro no dia a dia vale muito mais", afirma Maria Eduarda, 24 anos.

Daniela Smid Rodrigues, psicóloga, psicanalista e especialista em sexualidade, lembra de uma das teorias do sociólogo Zygmunt Bauman. Ele fala da questão de que o mundo moderno está em busca de relações descartáveis, ou seja, a sociedade consumista impõe que busquemos sempre algo novo ao invés de aceitar com maturidade as diferenças do que se tem. "Nesta lógica estaríamos propícios a querer estar com alguém diferente a qualquer momento", comenta Daniela.

A psicóloga admite que é difícil negar que estejamos vivenciando essa lógica do descartável e que por esta via, os jovens que se casam com os primeiros namorados, tenderiam a desejar estar também com outras pessoas num futuro, o que resultaria em relação extraconjugal ou dissolução do casamento. "Hoje é possível pensar ‘ah, eu vou casar, e se não der certo, eu separo’. O que não era muito pensável há 40 anos", opina a especialista.

Natália Mendes, 23 anos, parece não ter medo de passar por esta situação. "Em abril, me casarei com o meu primeiro e único namorado. Estamos juntos desde 2003, eu tinha 14 anos quando começamos a namorar. Não tenho medo algum", garante a estudante.

Maria Eduarda diz acreditar que um casamento feliz não tem segredo: "O mais importante é sempre manter o diálogo e o respeito. Já temos problemas demais para ficarmos pensando que porque eu deixei de fazer algo, uma coisa ruim vai acontecer. Além disso, eu não tive outros namorados porque não quis. Considero ter tido a chance rara de ter conhecido o amor da minha vida cedo e ter tempo de viver o máximo ao lado dele."


Para quem está passando por momentos difíceis no casamento, independente de ter se casado com o primeiro namorado ou não, a psicóloga recomenda terapia de casal. "A terapia de casal pode ajudar muito, sim. Ela auxilia o casal a encontrar saídas para suas dúvidas e sofrimentos e a amadurecer e enfrentar os problemas juntos, quando há disposição de ambos", afirma Daniela Smid.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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