Cartas de amor

Cartas de amor

Dificilmente na época de nossos pais ou avós se poderia imaginar que as juras de amor seriam comunicadas no mundo virtual, mais ainda, que um dia oito em cada dez brasileiros teriam o seu perfil estampado em um site de relacionamentos, homens e mulheres em busca da cara metade.

Antes de se casarem, os pais de Carolina Santos chegaram a se comunicar dois meses somente por cartas. A distância entre Portugal e Brasil não impediu o namoro, pelo contrário, a emoção receber palavras de amor no papel aproximou mais os dois, juntos até hoje, com mais 30 anos de casamento.

O e-mail parece ter deixado a carta de amor a um passado nostálgico. Mas a sensação de abrir um envelope e deparar-se com declarações apaixonadas talvez continue com a mesma força de sempre. Ao invés da objetividade do correio virtual, as cartas atestam, documentam, e dão a impressão de que as saudades, o amor e outros sentimentos são mais verdadeiros.

Mesmo em tempos de internet, há quem goste de dividir o hábito de conhecer novas pessoas em grupos virtuais e também escrever cartas. A revisora de textos Daise Ribeiro, de 26 anos, conta que já recebeu várias delas. “E já me emocionei muito com algumas das que me foram escritas, muito bem escritas, por sinal”, conta. Como trabalha na área da educação, ela faz questão de incentivar o costume de escrever para os outros no papel, principalmente entre as crianças.

“Fico muito feliz em ver que elas têm esse hábito, se eu puder contribuir com ele, acho ótimo. Acredito que seja importante para desenvolver melhor a escrita, o raciocínio, a caligrafia e até mesmo o afeto, já que cartas são infinitamente mais pessoais e intimistas do que e-mails”, opina.

Durante um ano, isso na década de 50, a cantora Edith Piaf, que morreu em 1963, aos 47 anos, tinha o costume de escrever cartas de amor ao ciclista Louis Gerardin. Famosa pelos seus vícios e casos amorosos, seus relatos sobre o romance, incluindo as fantasias sexuais, eram desconhecidos para o mundo, mas no mês passado as cartas foram vendidas em um leilão por 55 mil euros (cerca de 153 mil reais) em Paris.

"Quero ver você nu na cama, quero me deitar entre suas lindas coxas... e ser envolvida pelos membros normalmente usados apenas para andar e se sentar", escreveu em uma das cartas.

Cartas de amor

Foto - Divulgação Editora Objetiva/ Alfaguara

Já na ficção, as cartas de amor também mostram que são arrebatadoras. Joshua Knelman e Rosalind, editores da coletânea "Carta para você" (Editora Objetiva/ Alfaguara), pediram a alguns dos mais importantes escritores da nova geração, incluindo os brasileiros Martha Medeiros, Adriana Lisboa, Michel Sanches Neto e Xico Sá, para criar uma carta de amor e, assim, dar vida a um costume que parece ter sido esquecido.


O resultado é um retrato emocionante de várias situações: um homem apaixonado escreve a uma mulher casada, sem saber que sua carta pode cair em mãos erradas. Uma mulher, responde por carta, emocionada, a um pedido de casamento. Situações mais frequentes antigamente e substituídas para o mundo virtual. Não importa o meio escolhido para mostrar o seu amor, o importante é não perder o romantismo.

Por Juliana Lopes

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