Cachorro atrapalha ou ajuda o relacionamento?

Cachorro

Foto: Larry Williams/Corbis

A rotina em cidades grandes gera um fenômeno interessante nos relacionamentos: o adiamento dos filhos. Seja por falta da casa própria, do emprego dos sonhos ou de tempo para despender com a criança. Como substituição, o carinho é doado a um animal de estimação, normalmente um cachorro, que necessita de menos recursos. Mas até quando isso é benéfico?

A psicóloga Adriana Soares, especialista em Terapia Assistida por Animais (TAA) da clínica Cuidarte, confirma que esse comportamento faz parte das novas configurações familiares da modernidade. "Ter o cão como um filho é, de certa forma, um hábito comum em grandes centros onde a vida é mais atribulada. Também por isso muitas vezes adia-se o momento de ter herdeiros", comenta.

Os pontos positivos de adquirir um animal são muitos: "Eles se tornam assunto de uma conversa em que pode se discutir gostos, são companhias que aceitam as pessoas como elas são e dão atenção e amor de modo incondicional e sem julgamentos. Geralmente ter um cão é um consenso do casal e dificilmente ele será ponto de brigas", explica Adriana.

Sendo assim, os cães funcionam como um estímulo da interação entre seus donos, podendo servir como desculpa, por exemplo, para uma reaproximação do casal em caso de eventuais briguinhas. Mas, quando apenas um dos cônjuges gosta de animais, o cachorro pode ser o próprio ponto de discórdia.

Jogar as responsabilidades e os gastos com o bichinho para o companheiro também podem ser motivos de desentendimentos. Assim como quando uma pessoa extrapola e substitui os relacionamentos interpessoais pela relação apenas com o animal. Sendo assim, outro foco de brigas se instala entre os pombinhos.


Como se fosse um filho...

Sobre considerar a adoção de um cachorro, é preciso pensar em tudo como se fosse, de fato, a chegada de uma criança. O casal deve pensar no espaço disponível em casa para que seja escolhido o porte do animal. É bom lembrar que os cães são muito sapecas e curiosos até mais ou menos um ano de idade, podendo rasgar e cavar o que veem pela frente. É recomendado delimitar uma área (com um cercadinho mesmo) para que circulem livres, principalmente quando sozinhos.

Para dividir as tarefas, é recomendado justiça e disciplina. "Indica-se que o casal divida tarefas e despesas e negocie as responsabilidades. Por exemplo, uma semana um leva para passear e dá banho e, na seguinte, a responsabilidade é do outro".

Qual é a melhor raça?

Quanto à raça ideal, é importante adotar um cão que tenha necessidades possíveis de serem cumpridas pelos tutores. Se você mora em um apartamento pequeno, por exemplo, pode não ser uma boa opção ter um cachorro de grande porte ou que necessite se exercitar diariamente por longo período.

Fora isso, é só o casal se apaixonar por aqueles olhinhos brilhantes e amar o cãozinho com todo o coração!

*Serviço: Adriana Soares , psicóloga especialista em Terapia Assistida por Animais (TAA) da clínica Cuidarte.

Por Juliany Bernardo (MBPress)

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