Bye Bye, Meu Bem

Bye Bye Meu Bem

Dizem que o que levamos da vida são as boas lembranças.

Quando você verbaliza, se torna óbvio: não dá para seguir em frente olhando para trás.

Tudo é terrivelmente finito. O engraçado é que sabemos disso quando o assunto não agrada. Por mais difícil que seja, lá no fundo sabemos que vai passar.

E as lembranças boas? E quando somos obrigados a conviver com pessoas e lugares que nos matam de saudade de uma época que, por alguma razão, acabou? Quem vai nos ensinar a lidar com as boas lembranças?

E pior: o que fazer quando elas se tornam a ruína da sua vida?

Para as más lembranças inventaram a fossa. A gente supera, aprende a evoluir com isso. O que mata são as boas lembranças.

E quando elas te impedem de romper um namoro que claramente não faz mais nenhum sentido? De aceitar que acabou porque foi tão bom enquanto durou? De assumir uma separação porque o início parecia tão promissor?

Filme, livro, conselho de mãe, revista, nada nos diz o que fazer com as boas memórias. E nada é mais perigoso que o apego.

O apego é o foco no que foi e no que poderia ter sido. Não no que é. Apego é retrocesso. E a boa lembrança não merece ser tratada com sofrimento.

As pessoas mais bem resolvidas que conheço são também as mais pragmáticas. Elas sabem colocar cada coisa no seu devido lugar. Sabem que não dá para fumar a pintura de um cachimbo. Não há cachimbo nenhum ali. Somente a ideia, a referência de um. A imagem do cachimbo não passa de uma imitação da realidade, e uma mentira muito convincente. Lembrança não é realidade.

Lembrança é só uma projeção da mesma.

Lembrança do almoço não resolve o jantar. Nostalgia crônica faz a gente morrer de fome.

Sabe quando você está na escola e aquele menino que não quer nada da vida e sempre pede pra copiar sua lição tira uma nota maior que a sua?

No que diz respeito às boas e más lembranças, somos o professor cego e injusto. Damos o valor e recompensa para as más. Fazemos elas valerem a pena. E quanto às boas? Que valor elas podem ter se não as trabalhamos como elas merecem? As más lembranças nos empurram para frente e deixamos as boas nos puxarem para trás. O quão justo é esse tratamento? Elas não foram feitas para nos trazerem coisas boas?

Mas não me entenda mal. Reconheço que nada é tão simples assim.

Por outro lado, se fosse fácil a gente chamava de miojo. Tudo é passível de superação. Até mesmo aquele passado maravilhoso. Sabe aquela conversa de que nada será tão bom quanto já foi um dia? Isso é assinatura para lápides. Não é verdadeiro, e não pode ser aceito como tal. Enquanto vivos, o potencial nunca acaba.

O segredo é ter foco em quem você é hoje. Crescido e evoluído. As boas lembranças de um relacionamento podem ter lhe tornado uma pessoa que, agora acredita que o romance é real. Que sabe que o trabalho não é tudo, e que a felicidade de um casal é uma das maiores alegrias da vida.

Que investe mais em projetos pessoais, que dá mais valor aos amigos, à família ou mesmo a si próprio. O passado, bom ou ruim, é só projeção. O que importa agora, é só quem você se tornou no presente. Uma pessoa com uma nova visão de mundo, capaz de atingir realizações antes inimagináveis.

Todos os dias estou e sou melhor que nunca. O presente é o grande presente.

Não há época de ouro maior do que estar vivo e ter uma vida inteira acontecendo. Agora.

Ponha os pés no chão e viva a realidade. Você pode torná-la mais incrível que aqueles dias memoráveis.

E aí? O que você está esperando para viver o próximo grande acontecimento da sua vida?

Marianna Greca é publicitária e nerd assumida. Social Media, webwriter, tradutora e desenhista compulsiva. Tão louca por Internet quanto pela Ilíada. Acredita que assumir a maternidade do mundo é o melhor caminho para a felicidade.

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