Beijo: termômetro da boa relação

Beijo termômetro da boa relação

Se pudesse traduzir paixão em apenas um gesto, qual seria? A gente já escolheu a representação física desse sentimento e torce pra que todos os casais concordem. O beijo - ele, tão idealizado quando somos meninas e infelizmente banalizado quando crescemos - é sim, a representação máxima da paixão entre duas pessoas.

O problema é que, muitas vezes, ele é deixado de lado e, com o passar do tempo, perde a importância e o espaço dentro da relação. É como se fosse coisa de adolescente, de casal novo, de gente que não tem o que falar então usa a boca apenas pra beijar. Se você pensa assim, ligue todas as luzes de alerta! O beijo é o termômetro da relação. Se continua quente como nos primeiros encontros, parabéns. Se já nem lembra quando deu o último no maridão, bom, é melhor parar pra pensar.

A psicóloga e expert em sexo e relacionamentos Tatiana Presser, é uma dessas entusiastas do beijo enquanto peça fundamental de uma relação. "Ele é o jeito mais íntimo de demonstrar carinho e amor ao parceiro", garante. Além disso, funciona como estímulo aos filhos, que veem no carinho trocado pelos pais um exemplo a ser seguido. "Numa relação familiar é uma forma extremamente saudável demonstrar aos filhos que essa relação é amorosa e carinhosa, diferente do que outras parcerias".

Prestar atenção no beijo pode até salvar a relação. E, por incrível que pareça, o beijo está, infelizmente, cada vez mais disperso. "É difícil ver um casal que se beija com frequência e demonstra carinho de uma forma amorosa", analisa Tatiana. "Essa demonstração é essencial para manterem um contato íntimo e um respeito mútuo".

Deixar o beijo na gaveta, no banco, esquecido na caixa das boas memórias não é necessariamente culpa do casal. O tempo passa, as responsabilidades mudam, o dia fica mais curto e aquele beijo molhado vira um selinho na testa. A paixão inicial se transforma sim em outros sentimentos, mas, nunca é tarde pra voltar aos tempos dos bons beijos de cinema. "Mesmo que haja amor na relação, a correria do dia-a-dia acaba fazendo com que a gente deixe este hábito de lado e, quando finalmente nos damos conta do sumiço, nos sentimos tímidos em inserir a prática novamente no relacionamento", diz Tatiana. E, a maluquice nisso tudo, segundo ela, é que as pessoas passam a ter vergonha de se beijar. "São as contradições da nossa sociedade. Podemos dançar de forma explícita, mas o beijo sempre provoca um desconforto e por isso muitas vezes é deixado de lado".

A boa nova do beijo é que ele tem o poder de dar uma "chacoalhada", sempre! E vale para o bem ou para o mal - seja para demonstrar que está havendo problemas (quando é frio e sem gosto), ou para despertar o desejo adormecido. "Ele é determinante em mostrar para o outro o carinho, o amor e o afeto que se sente. O beijo é uma declaração, uma carta de amor".


E se você está tirando o corpo fora dessa análise só porque ainda transa com o amado como no começo da relação, atenção. "Muitos casais transam durante anos e não se beijam, mas poucos beijam, mas não transam", diz Tatiana. Entendeu? "O beijo é o gesto mais íntimo e, sem dúvida, mais íntimo do que o sexo em si. Não é a toa que muitas prostitutas fazem de tudo menos beijar".

Por Sabrina Passos (MBPress)

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