Bate papo com dois machos, pero no mucho!

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Bate papo com dois machos pero no mucho

André Rodrigues. Foto: arquivo pessoal.

Eles resolveram levantar a bandeira dos heterossexuais e defender esses que eles chamam de excluídos! Amigos desde os tempos da faculdade de jornalismo, André Rodrigues (o Careca) e Tiago Oliveira (o Gordo), resolveram usar todo o talento e o bom humor para criar um site que agora virou livro! Os textos veiculados nos últimos quatro anos no site “Macho Pero No Mucho” - uma espécie de confessionário masculino - agora podem ser encontrados nas livrarias.

Voltado para homens que adoram ser homens, têm um pouco de barriga, bebem cerveja e ainda secam aquela menininha no elevador, o livro também atrai as mulheres que pretendem saber onde foi parar aquele saudável macho que antes andava solto nas ruas e avenidas. Crônicas como “Mulher consegue comer quem ela quiser” e “O tamanho do pé versus o tamanho do peru” indicam a vontade dos dois de fazer com que eles e elas estabeleçam um diálogo sobre suas inseguranças e fraquezas.

“Desde muito tempo queríamos fazer algo juntos. Não casar, claro. Mas só montar uma sociedade, porque aí a gente podia brigar e nunca mais se falar. A gente queria ser artista. Pensávamos em montar uma companhia de teatro, um jornal, dominar o mundo, essas coisas super viáveis”, diz André. “Como a gente só conseguiu dinheiro - mesmo assim tivemos que roubar nossos pais - pra montar um site, criamos o MPNM. É algo pra brincar com os rótulos, sacanear os metrossexuais”, complete Tiago.

O que os dois querem mesmo é mostrar que o heterossexual é o excluído da vez. “Tá difícil beber cerveja e falar de mulher sem que alguém não te ache uma besta. O que as pessoas têm contra o homem que gosta de futebol, tem barriga e não usa cremes? Olha, já me deu vontade de chorar”, brinca André.

O livro deles foi dividido pela santíssima trindade do hedonismo (sexo, drogas e rock’n roll), e aborda difícil situação do homem contemporâneo acuado por metrossexuais, mulheres ‘alfa’ e outras coisinhas que acabaram os tornando dignas de dó. Também não é para tanto, né meninos? Num papo virtual super legal com o Vila Dois, eles contaram mais sobre o processo de criação do site e de onde nasce a inspiração para os textos. “Macho Pero No Mucho - As Melhores Crônicas” (Factash, 2009) pode ser adquirido, é claro, no site www.machoperonomucho.com.br

Bate papo com dois machos pero no mucho

O livro - que reúne os textos - era um desejo de vocês dois? O que ele significa pra vocês?

Tiago: A gente pensou que ninguém se interessaria pelo site. De fato, no primeiro ano apenas nossos pais liam. Tudo bem. Nem eles liam. Mas com o tempo, as pessoas passaram a curtir nossas opiniões e brincadeiras. E começaram a pedir conselhos, sugerir pautas e tal. Até os pais do Careca.

André: O livro surgiu como um primeiro produto do site. As pessoas querem ter algo em casa do MPNM, muitas pequenas (é como eles se referem às mulheres) querem presentear seus homens e tal. E o livro é que fica pra história.

Como vocês se sentem falando de comportamento masculino? Já foram tachados de machistas muitas vezes?

Tiago: Sabe que isso nunca aconteceu? As pessoas entenderam que o site é uma brincadeira. A gente brinca o tempo todo. O próprio nome do site é uma coisa, o conteúdo outra. A gente divide as dúvidas. Sacaneamos todos os rótulos, inclusive nosso cotidiano, nossas posturas e dramas.

A mulher conseguiu a sofrida 'emancipação', certo? O que isso muda para vocês, homens? Como é lidar com a nova mulher?

André: Lidar com a minha mulher é fácil. O duro é lidar com as outras. Falando sério, tem algumas mulheres (as tais alfas) que são mais complicadinhas, porque chegaram ao poder e agora viraram umas pequenas ditadoras. A mulher-alfa é a Hugo Chávez do relacionamento. Não quer largar o osso nunca. Mas essa tal “nova mulher” é a mesma de sempre, só que com mais liberdade. Pensando bem, que raios é essa “nova mulher”? Cartas para redação.

É mesmo muito difícil ser homem hoje?

Tiago: Eu não acho. O André sofre mais porque é sensível e tal. Mas eu continuo tranquilo. Ok, agora é a minha vez de falar sério. Está mais complicado porque perdemos bastante o papel de provedor. E ficou mais difícil impressionar as mulheres - que é nossa única função aqui. Agora, temos que ralar pra caramba pra elas admirarem a gente.

Para quem o livro é escrito? O público é masculino mesmo? Ou pode ajudar as mulheres a entender o universo de vocês?

André: A gente gostaria muito que os homens lessem, mas parece que realmente os caras são mais lentos que a mulherada. Tem uma turma aí que não entende muito bem o que estamos dizendo. E olha que ainda nem começamos a falar sobre filosofia. O máximo que a gente conversa é sobre “Piratas do Caribe” e “BBB”. As meninas entendem melhor o nosso discurso, percebem que o homem está perdido. Enquanto isso, o sujeito fica sentadão no sofá e nem sabe o que tá acontecendo do seu lado.

Como é a reação do público feminino com relação ao site e o livro? Como são os comentários?

André: A gente se sente meio como o Brad Pitt, famoso, bonito e que pode falar qualquer bobagem. Elas dão apoio pra gente, pedem conselhos para os maridos e tal.

Tiago: Mulher é muito mais generosa do que o homem. Por isso gostam da gente. Pelo menos estamos tentando aprender alguma coisa.

Bate papo com dois machos pero no mucho

Tiago Oliveira. Foto: Antonio Cor da Costa.

E que tipo de segredinhos o livro conta sobre o mundo dos homens? Pode adiantar uns para as leitoras do Vila Mulher?

André: A gente explica por que coçamos tanto as partes íntimas, quais são os tipos de macho, por que não gostamos daquela depilação “bigodinho de Hitler”, por que curtimos uma casa de drinques com mulheres seminuas…

O Xico Sá, que também escreve sobre esse assunto, já foi entrevistado por nós e foi chamado de 'informante das mulheres'. Vocês se sentem assim um pouco, ajudando os sexos a se relacionarem?

André: Sim. Obrigado. Pois essa é a melhor definição para o nosso site: um lugar que pretende ajudar os sexos (todos os 435) a se relacionarem. E o Xico, aliás, tem a melhor frase sobre essa crise do macho: “Se o macho está perdido, não sou eu que vou procurá-lo”.


E qual o recado vocês dariam para as mulheres, aqui nesse site que é voltado apenas para elas?

André/Tiago: Não percam as esperanças. Um dia a gente aprende.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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