Até que o prato na pia nos separe!

As criaturas namoram por anos! Mas nunca realmente moram juntas. Ah, se não moram com os pais, rola de um se amoitar na casa do outro. Sonham com casamento, fazer o ninho, coisa e tal. Pelo menos ELA sonha, pois o momento social do casamento realiza todas as fantasias de princesa da Disney e de premiação social que a menina tem embutidas desde que ganha o primeiro brinco na orelha às vezes no berçário. O sexo do namoro é até legal, às vezes muito legal. Rola uma corneada aqui e outra ali? Geral! Principalmente dele, é claro, pois ela reservou para si um status e um espaço todo especial no qual certas coisas cabem e certas não cabem, e inclusive certos discursos podem e não podem.

Um belo dia vem o casamento, e tudo que o acompanha. As obrigações com as contas, a incorporação de papéis sociais, os filhos dentro dos padrões institucionalizados, a divisão de espaços e tarefas dentro do lar, de contas, de projetos de vida, carreira, etc. Não é mais a paixão, o tesão, o sonho, o curtir. É a família: e pode ser super prazeirosa, mas tem uma coisa pesada de redefinição do indivíduo. E definir individualidade a dois é algo super foda.

Chega um momento em que gozar sempre da mesma maneira é complicado. Parece não haver fantasia possível, pois os papéis que antecederam o casamento apenas entronizaram em outros ainda mais sólido, mas ainda existe tesão, hormonal que seja. Só que os outros fatores vão ficando mais pesados: a criação dos filhos, a rotina do trabalho, a divisão do tempo, a toalha sobre a cama, e a merda do prato sujo que fica na pia de noite que um teima em não lavar.

Quando não é a morte e nem o desejo que desfaz um casamento, pode ser muito bem esse maldito prato sujo largado na pia... ou a criminosa toalha molhada deixada na cama, a conta que o responsável esquece de pagar todo mês e não consegue se disciplinar nunca!

Pensando bem, eu realmente não quero mais me "casar" e não é mais o trauma dos relacionamentos passados. Acho que essa aversão está passando e de maneira salutar. Não quero a instituição da maneira como eu a experimentei, isso sim! Quero poder lidar com esses assassinos de relacionamento de formas diferentes, não sei se criativas ou não, pois eu já entendo que a sede de viver esses papéis em mim sempre foi contraditória a fome de liberdade e à rejeição aos papéis femininos tradicionais. Eu e minha angústia por liberdade!

Creio sinceramente que existam pessoas que conseguem achar zonas de conforto dentro dos padrões institucionalizados, inclusive por meio de formas de alívio igualmente institucionalizadas! Mas não foi o meu caso e creio de não ser o caso na prática de muita gente por aí. Não vejo nisso uma crise do Casamento, mas sim que a maior simplicidade com que as pessoas vêem a possibilidade de dissolução desse laço, permite novas tentativas, ainda que não passem de mais do mesmo. E é fácil disfarçar o mais do mesmo em coisas estúpidas como o oposto completo!

Uma coisa eu já entendi: não dá para dizer para um indivíduo provido de pênis que eu não quero mais me casar que ele entenderá que sou uma vadia, mulher "só para sexo" e besteiras do gênero. Também não dá para explicar para o sujeitinho minha teoria do prato na pia como assassino de relacionamentos ou fazer uma longa preleção sobre o casamento como instituição e como realidade. Não cabe nas regras do jogo da côrte a uma mulher de 40 anos. Ao menos assim parece. É deixar acontecer e se o assunto surgir deixar claro que de maneira alguma estou fechada a relacionamentos estáveis se eles acontecerem, quanto ao formato, o tempo dirá pois não é uma preocupação minha nesse momento. Também não sei ainda como essa fala é em geral entendida, mas não deixa de ser verdade em nenhuma instância!

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