As novas solteiras

As novas solteiras

Que as mulheres não são mais as mesmas, isso todo mundo sabe e vê. Mas será que essa revolução mudou também o perfil das solteiras? Olhando para o lado, você logo percebe que as novas solteiras estão por toda parte. São mulheres entre 25 e 35 anos, já bem sucedidas profissionalmente ou no caminho certo, e que não estão muito preocupadas com a metade perdida pelo mundo.

De acordo com o Ipsos Marplan e conforme publicado na Revista Marie Claire, em comparação com as casadas, as solteiras ocupam postos mais altos de trabalho (47% contra 34%), vão mais à praia (46% contra 42%), a shows (31% contra 22%) e leem mais (39% contra 35%).

A pedagoga Sheila Chamecki Rigler, diretora da Consultoria em Relações Humanas e Agência de Casamentos Par Ideal, de Curitiba, concorda com a pesquisa. Segundo ela, as novas solteiras saem mais, ganham o próprio sustento e têm o carro próprio. “Essas mulheres, na maioria das vezes, moram sozinhas, viajam muito mais do que as casadas, e vão mais ao teatro e ao cinema”, afirma. Sheila diz que o que essas novas solteiras procuram - e normalmente conseguem sozinhas - é viver com conforto e muitas horas bem vividas de lazer.

O relógio que grita ‘casamento’ no ouvido dessas mulheres bate perto dos 30 anos, quando elas então saem à procura de um companheiro que esteja a sua altura. E aí, mais um desafio. “Elas querem alguém que seja do mesmo nível intelectual, social e financeiro. Essa exigência maior dificulta na hora de encontrar alguém”, avalia Sheila. As mulheres independentes não têm dificuldade de encontrar um par na balada, mas não encontra lá a pessoa especial que tanto procura.

“Hoje, a mulher solteira não é mais marginalizada pela sociedade e nem tem a obrigação do casamento”, fala Sheila. “O que acontece é que essas mulheres bem sucedidas não estão dispostas a abrir mão do modo de vida que conquistaram sozinhas”.

A psicóloga, Bárbara Snizek, também da Par Ideal, alerta para outro agravante na busca do parceiro. “Somos constantemente bombardeados pelo estereótipo da mulher madura profissionalmente e atrapalhada na vida afetiva. Mas isso não passa de um mito” afirma. “Fracassos na vida amorosa não significam inaptidão afetiva, mas podem estar relacionados a uma exigência mais apurada e a uma recusa em viver relações não satisfatórias”, explica ela, que acredita que padrões frequentemente divulgados na mídia, como os do seriado “Sex And The City”, por exemplo, podem assustar os homens.


Segundo o IBGE, enquanto em 1987, cerca de 80 mil das mulheres se casavam entre 30 e 39 anos, em 2007, o número pulou para 181 mil. Desconsiderando o aumento populacional das últimas duas décadas, isso significa um aumento de 50%. Casando mais tarde as mulheres criam uma geração inteira de mulheres solteiras que ainda estão aprendendo a lidar com a própria independência. O que todas aprenderam, não importa o estado civil - ou da vontade de alterá-lo - é que a felicidade vem de dentro. Sempre.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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