Amores líquidos

Amores líquidos

Vivemos a era dos amores líquidos, por que será, o que será que tanto procuramos? Foto: © Corbis

Sabe aquela impressão de que não se fazem mais amores como antigamente? Então, sim, e que bom que não se fazem, pois nem sempre as fórmulas para se viver um grande amor, estabelecidas pelas gerações anteriores fizeram as pessoas mais felizes do que elas são hoje. O que havia, ao que parece, era uma tal de solidez, segurança ou "um porto seguro".

Não sabemos se as mulheres eram mais pacientes, ou se os homens eram mais fortes. O fato é que as pessoas querem tanto a liberdade que acabam se esvaindo da vida do outro com medo da entrega, medo de sofrer; é quase uma fobia de envolvimento.

Por exemplo: você liga para o cara, uma semana depois de terem saído, e escuta a seguinte frase: "Você precisa me dar espaço. Estou me sentindo sufocado". Sim, acontece, quem nunca ouviu algo parecido?

A pessoa pressupõe que ter um vínculo, ou qualquer forma de relacionamento vá podar sua liberdade, ou ainda, que aquilo é ruim. E o sentimento? O carinho, a companhia, isso não vale para se passar um tempo com alguém? Talvez alguns anos, talvez décadas, tudo depende.

Estamos vivendo a era dos amores líquidos, eles passam tão rápido por nós e são tão fugazes que parecem feitos de água - esta que, por vezes, procuramos com uma vontade tremenda, mas logo em seguida, quando a sede é saciada, nos aquietamos, até a sede voltar. Assim são os amores líquidos e rápidos. Eles nascem para dar errado; essa é a impressão que deixam.

As pessoas mal trocam nomes e telefones, transam, julgam que isso lhes traz alguma intimidade, algum conforto, mas não. Em vez disso, se enrolam em joguinhos que causam ansiedade, tristeza, apenas para mascarar a realidade e o medo. Medo de gostar, de querer ficar junto e de namorar. Por que algumas pessoas ainda relacionam namoro/casamento com controle de uma pessoa sobre a outra? E aí nasce boa parte da confusão que resultam alguns milhares de corações partidos.

E depois que se liquefaz, o amor escorre por entre os dedos, junto com nossas lágrimas contumazes, junto com nosso medo e, mais uma vez sozinhos, nós podemos caçoar do amor e continuar na busca frenética por satisfação, mesmo sem saber, o que de fato queremos. Que tal refletir sobre isso? Sem medo.


Por Giseli Miliozi

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