Amor para 2009

Queridas e Queridos,

Ando meio ausente das narrações de minhas aventuras e desventuras sentimentais, mas sabemos que final de ano é sempre uma correria - em todos os sentidos! Além dos afazeres domésticos, acadêmicos e profissionais, é chegada a hora do "balanço final", o inventário do que foi feito, o que ficou pendente, o que deve ser esquecido, quais os planos pro novo ano que chega em breve.

É certo que esta tarefa é a parte mais difícil de todas!

A retrospectiva do meu ano ainda está em curso, aliada à época do inferno astral que dificulta um pouco, pois a sensibilidade aflora e, algumas vezes, os problemas se potencializam.

Voltando um pouco mais no tempo, quando acompanhava os últimos dias de meu Pai, há pouco mais de 2 anos, comecei a me deparar com estas questões, mas após sua morte, tomada pela dor e pela necessidade de assumir as questões administrativas familiares, esqueci, mas não superei e neste final de ano elas votaram em dimensões bem maiores. Por certo que a falta de uma relação amorosa estável foi, nos últimos 2 meses, o foco de reflexão sobre os pontos de chegada e partida da minha existência.

Discursivamente uma mulher madura, independente, culta e atraente atribui à relação amorosa um peso leve, uma vez que é um perfil da sua personalidade que está dissolvido diante a tantos outros afazeres.

Todavia, reflexivamente, sofremos SIM o peso da meia-idade, 35 anos batendo à porta, ainda solteira [em que pese não ter sonho nenhum de ser Mãe, grande parte das mulheres nesta faixa etária alimentam intensamente o desejo de ter um filho e concretamente falta pouco tempo pra esta empreitada!], sem qualquer perspectiva de um relacionamento estável, nos leva a pensar na solidão.

Temos família, amigos de qualidade e fiéis, temos terapeutas, dinheiro suficiente, sexo [embora casual], mas nos falta o afeto e o calor vindo daquele que ocupa a outra metade da cama. Aquele que te dá um sorriso ao acordar, conversa contigo no café da manhã enquanto lê o jornal para saber as cotações financeiras do dia e liga durante o dia pra saber o que tem pro jantar. Enfim, falta-nos aquele que mesmo nos dias cinzentos transforma nossas humildes vidas num arco-íris eterno.

Eu sei que isso é um pouco ilusório, um sonho, enquanto vimos cotidianamente o número de lares desfeitos, a violência doméstica. Mas eu nasci, cresci e vivi parte da minha vida numa grande família, fruto de uma união de 43 anos, que acabou pelo juramento matrimonial de "até que a morte os separe".

Este exemplo que tive está longe de ser o de perfeição, aqueles de propaganda de margarina. Houve renúncias, momentos difíceis, frustrações, desencontros e tristezas, porém, para mim fica de forma concreta que um casamento pode dar certo sim!

Penso que pra isso é necessário cotidianamente, além do amor, o respeito, a tolerância, a confiança, a amizade, o bom-humor e muita vontade.

Vejo atualmente que estamos cada vez mais individualistas, egoístas. Primeiro está sempre o EU, jamais o NÓS, e se pra MIM não está bom, não quero. Em parte isso é importante, mas não é desta forma que se constrói uma relação.

As relações entre as pessoas [independente de qual relação estamos falando] estão sofrendo os impactos diretos da cultura da pós-modernidade, e como conseqüência disso, construímos relações vazias, fúteis, de consumo imediato, ligadas ao prazer, à estética, sem apego, sem afeto. Não temos mais como norte a superação do 'ser em si', do compartilhar uma vida, do pensar junto projetos comuns e, diante disso, caímos no vazio, na solidão.

Apesar de não notar mudanças nos padrões culturais nos últimos tempos na região que vivo e dentre as pessoas da minha geração [70-80], vejo um futuro promissor às novas gerações, perecem-me pessoas mais bem preparadas para o Mundo e todas as suas contradições.

De qualquer forma e apesar de todo o meu “balanço” ainda estar por terminar DESEJO SIM um dia encontrar aquele alguém que vai andar de mãos dadas num fim de tarde à beira mar quando já estivermos de cabelos branquinhos e o corpo cansado de tantas histórias da vida.

SONHO?

TALVEZ SIM E TALVEZ NÃO PARA 2009, mas acho que planejar e estar preparada é preciso!

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