Amor e ciúme patológico são a mesma coisa?

Amor e ciúme patológico são a mesma coisa

Sofrer por ciúme ou amor é um capítulo obrigatório na vida de quase todo mundo. Mas quanto o sentimento é levado ao extremo, vira doença mesmo sem querer. Para tentar reconhecer esse sofrimento, o Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo está preparando uma pesquisa, que vai envolver homens e mulheres, maiores de 18 anos. Fora isso, o único pré-requisito é sofrer demais de amor ou ciúme.

A psicóloga Andrea Lorena da Costa, do Ambulatório de Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria da USP, diz que a pesquisa quer investigar se existe correlação entre os sentimentos de amor e ciúme excessivos e verificar se são duas condições diferentes ou se são a mesma coisa.

Segundo ela, o amor patológico se caracteriza por atenção e cuidados excessivos destinados ao parceiro, quando a pessoa se vê obrigada a dar atenção constante ao amado, deixando de lado outras atividades e pessoas anteriormente valorizadas, como por exemplo, trabalho, filhos e amigos. "Já o ciúme patológico causa angústia e prejuízo significativo tanto à pessoa amada quanto ao ciumento. As suspeitas são infundadas, ou seja, não tem dados reais. É composto por pensamentos, emoções e preocupações exageradas e irracionais sobre a infidelidade do parceiro, associadas a comportamentos inaceitáveis ou extravagantes. O maior desejo do ciumento excessivo é controlar completamente os sentimentos e comportamentos do parceiro", explica Andrea.

A tentativa de diferenciar o amor e ciúme excessivo servirá para ajudar quem sofre com isso. "O tratamento adequado ajudará a pessoa a restabelecer vínculos mais saudáveis e seguros com o parceiro ou parceira, a se fortalecer e resgatar a auto-estima que, em muitos casos, ficou esquecida por causa do amor ou ciúme excessivos destinado aos parceiros", diz Andrea.

Para tentar identificar se o que sente é mesmo doentio, a pessoa deve questionar se está satisfeita com o grau de atenção e tempo dedicados ao parceiro, verificar se faz mais do que gostaria e se perguntar se a quantidade de atenção dedicada está sob controle. É preciso ainda perceber se quando sente vontade de parar, consegue, e se deixou outros interesses e pessoas de lado, como a família e amigos e o trabalho.

No caso do ciúme, conforme explica Andrea, a pessoa tende a verificar compulsivamente agendas, celulares, e-mails, roupas, faturas de cartão de crédito. Liga constantemente para verificar com quem e o que o parceiro está fazendo, costuma visitar de surpresa o trabalho, segue para confirmar onde e com quem está e, em alguns casos, parte para agressão. "Isso acontece tanto com homens quanto com mulheres com amor e ciúme excessivos", ressalta.

Mas antes de definir o ciúme patológico, é bom relembrar o que é o ciúme normal, desses que todo mundo sente mesmo. "Ele é desencadeado por conflitos reais, uma reação proporcional a uma situação de infidelidade, concreta ou plausível", explica.


Quem acha que sofre dos sintomas acima descritos e quiser participar da pesquisa precisa comparecer semanalmente ao Hospital das Clínicas de São Paulo. Os voluntários passarão por uma entrevista com psicólogos e, em seguida, responderão a questionários relacionados ao amor, ciúme e relacionamento amoroso, assim como outros testes psicológicos, e terão acompanhamento médico, caso seja necessário. O tratamento deve durar quatro meses e as inscrições podem ser feitas pelo telefone (11) 3069-7805 ou pelo e-mail contato@amiti.com.br.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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