A saudade do primeiro amor

Saudade do primeiro amor

O primeiro grande amor da vida de uma mulher não tem idade. Algumas encontram na adolescência, quando ainda nem entendem direito o sentimento e acabam descobrindo, com o garoto, o acelerar do coração. Outras descobrem com o tempo que o primeiro amor que conta de verdade é aquele que acontece depois da adolescência, quando ainda também não se entende direito o sentimento mas já é crescida o suficiente para tentar aprender.

E esse sentimento bom que acompanha o primeiro amor, será que fica com a gente para sempre? Alice Padilha se apaixonou pelo primeiro namorado quando os dois estavam na quarta série primária. Pelo menos ela achou que aquilo era paixão. Antes ainda do ensino médio, se beijaram pela primeira vez. Depois, namoraram dos 15 aos 20 anos. Primeiro amor longuíssimo, é fato. “Mas sei que aprendi muito e carrego o sentimento bom da nossa história para sempre”, diz. O namoro acabou porque ele quis, há mais de seis anos. E até hoje Alice guarda com carinho a bela fábula. Sofreu quando ele preferiu terminar tudo, achava que ele era o cara certo, para amar para sempre. “Eu achei que ia morrer na época. Hoje eu agradeço. Se tivesse ficado com o Paulo esse tempo todo, não teria aprendido e vivido outras coisas. Ele fez certo em interromper”.

A história de Alice e Paulo pode não ter tido o final de conto de fadas, mas serve de exemplo. Muitos casais se conhecem na adolescência e acabam juntos na idade adulta, sem terem chance de experimentar o que está do outro lado do muro. Não é regra que todo amor de adolescência deva acabar e nem que todos vão virar história de cinema. É preciso saber reconhecer quando o primeiro amor pode ser o único - ou quando é mesmo o primeiro de muitos.

Maria Maluta também namorou por vários anos o primeiro namorado. Mas nessa história, foi ela quem colocou um ponto final. “Ele queria casar comigo, era parte da família já. Mas eu achava que precisava conhecer mais pessoas, viver mais. Quando acabei foi bem triste, mas não me arrependo”, conta. Depois dele, Maria conheceu outro grande amor, mas nunca o sentimento foi igual ao do primeiro. Hoje ela está solteira.

Mas é claro que tem história boa de primeiro amor. Bia Ribeiro e Carlos Prado se conheceram ainda no colégio. Os dois se gostavam, mas nunca declaram o amor, com medo da rejeição. Encontraram-se depois de muito tempo, já adultos, na festa de formatura de uma amiga em comum. “Saímos de lá juntos e nunca mais nos largamos. Acho que o tempo em que ficamos separados foi bom para ver o que queríamos de verdade”, diz Bia. “Eu não acreditei que era ela, naquela festa. E quando a vi, sabia que meu primeiro amor seria também meu último”, se derrete Carlos.

Há sempre um modelo de felicidade total ligado à primeira relação afetiva e que ocorre, normalmente, na adolescência. O modelo de felicidade da primeira relação afetiva fica marcado no coração, quase no DNA das pessoas. Mas existe uma grande diferença entre lembrança e saudade. A lembrança prazerosa não é problema. A coisa complica quando a saudade daquilo que não volta mais vira tormenta. Se fixar no passado dificulta as relações presentes e futuras. É preciso resolver - e não esquecer - aquele sentimento e lembrar que recordação alguma é melhor do que o momento vivido agora. No presente.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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