A (Não) Revolução Anunciada

O seriado "Sex and the City" era muito divertido. O filme também é. As razões todo mundo já conhece: moda, humor, consumo, relacionamentos, consumo, amizade entre mulheres, lugares descolados, consumo, sexo, consumo e consumo.

No início da série, muitas eram as promessas. A mais importante delas, assim parecia, era retratar uma geração de mulheres independentes, solteiras, sexualmente livres, profissionais bem-sucedidas, que vivem bem sozinhas e não vêem o casamento e a família como as únicas saídas para a felicidade. Mulheres que gostam de romance e que, na falta de um par que valha a pena, aproveitam a vida e cultivam outros laços afetivos. Em resumo, o seriado parecia anunciar a solteirice como uma modalidade de vida, como outras, e não como um fardo do qual se deve fugir como o diabo foge da cruz. Parecia libertador.

Só parecia, evidentemente. Não teve jeito. O final feliz pastoso, recorrente em nossa cultura, passou por cima das intenções libertárias feito um trator e colocou as 4 (as 4!!!) personagens naquele lugar onde as mulheres verdadeiramente bem-sucedidas devem estar: ao lado de seus homens.

Uma, workaholic até o último fio de cabelo, se descamba para o Brooklyn para sorver o ideal de vida que impera no nosso imaginário: família, casa, cachorro e banho de esguicho no jardim. A outra, furacão de desejo e adepta do sexo sem compromisso, estaciona sua libido desenfreada, resolve assentar o facho e comportar-se “direito”, depois de ter sido punida com um câncer. A fofinha Charlotte, bom, nem se fala, mas essa era mesmo uma romântica inveterada. E a “de-tudo-um-pouco” Carrie acaba salva pelo príncipe, no alto de uma ponte sobre o Sena. Que desânimo, não dava para fazer nada diferente disso? Pelo menos com uma, uminha, das personagens?

Aí chega o filme. Oba. Vamos ver o que acontece. Quem sabe agora será diferente? Quem sabe poderemos, finalmente, encontrar novos significados para o secular “happy end” reservado às mulheres? Não vou contar o filme, para não estragar a surpresa (surpresa?) de quem ainda não viu. Mas, aqueles que gostariam de ver a identidade feminina descolada do “encontrei-consegui-casei”, podem tirar o cavalinho da chuva.

Uma a Uma é uma empresa de inteligência de mercado especializada no público feminino. As sócias e colunistas do Vila Mulher, Denise Gallo e Renata Petrovic, ajudam a entender melhor e desvendar as várias faces da mulher contemporânea.

Contato: umaauma@umaauma.com.br

Comente